Malária no Brasil cai 14,8% e atinge menor nível desde 1978 – PIRANOT

O Brasil registrou 118.037 casos de malária adquiridos no país em 2025, menor total desde 1978, informou nesta segunda-feira (17) o Ministério da Saúde, durante a expansão da tafenoquina no SUS.

O total representa queda oficial de 14,8% ante 2024. As mortes passaram de 56, em 2024, para 39, em 2025 — redução divulgada de 30% —, enquanto os casos graves recuaram 30,7%, conforme o balanço do Ministério da Saúde. A doença continua concentrada na Amazônia Legal e atinge de forma desproporcional indígenas, moradores de áreas rurais e populações remotas.

A queda ocorreu durante a adoção da tafenoquina, medicamento de dose única que reduz recorrências da malária por Plasmodium vivax, e a ampliação do diagnóstico, dos testes e do tratamento. O balanço oficial, porém, não mede isoladamente quanto cada ação contribuiu para o resultado nacional. O Ministério também não divulgou a série integral desde 1978 nem os dados por estado e espécie do parasita.

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Tafenoquina amplia proteção contra recorrências, mas não explica sozinha a queda

A tafenoquina foi incorporada em 2023 para adultos elegíveis e começou a ser implantada na região amazônica em março de 2024. Até junho de 2026, mais de 33,7 mil pessoas haviam recebido o medicamento, incluindo 3.920 tratamentos em Distritos Sanitários Especiais Indígenas. O uso depende de teste prévio da enzima G6PD, medida de segurança necessária porque a terapia pode provocar hemólise em pessoas com deficiência dessa enzima.

Um estudo operacional com 5.554 pacientes, atendidos em 43 unidades de Manaus e Porto Velho em 2021 e 2022, encontrou 88,6% dos pacientes tratados com tafenoquina sem recorrência em 90 dias, ante 83,5% entre os que tomaram primaquina por sete dias. A razão de risco foi de 0,65, com intervalo de confiança de 95% entre 0,49 e 0,86. Aos 180 dias, a efetividade dos dois esquemas foi semelhante. O resultado sustenta o benefício contra recaídas, mas não permite atribuir ao remédio, sozinho, a redução de todos os casos no país.

No Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami, 1.515 pessoas receberam tafenoquina. De março a junho de 2026, as recaídas caíram 61,9% em relação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e julho, os casos passaram de 17 mil, em 2025, para 7,6 mil, em 2026, queda de 55% informada pelo Ministério. As ações no território incluíram também diagnóstico, tratamento e recuperação da assistência, o que impede separar o efeito exclusivo do medicamento.

Oferta pediátrica avança com teste obrigatório de segurança

Em setembro de 2025, o tratamento foi incorporado para pessoas com mais de 10 quilos, condicionado ao teste de G6PD. A formulação pediátrica começou a ser oferecida em março de 2026 a crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de 10 quilos. Até junho de 2026, 1.446 crianças e adolescentes haviam sido tratados.

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A nota técnica do Ministério da Saúde estabelece atividade mínima de G6PD de 6,1 U/gHb para a elegibilidade pediátrica e orienta a rede sobre diagnóstico, dosagem e acompanhamento. A terapia não substitui avaliação profissional: suspeitas de malária exigem diagnóstico e definição do esquema pelo SUS.

A série histórica completa usada na comparação com 1978 e os resultados por estado e espécie ainda dependem de publicação oficial. Sem uma avaliação específica, não é possível quantificar a contribuição isolada da tafenoquina para a queda nacional.

O próximo passo confirmado é ampliar o teste de G6PD e o tratamento nas áreas endêmicas, condição necessária para que mais pacientes recebam a terapia de dose única com segurança.

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Fonte: Piranot – Link original da matéria

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