Brasil tem cerca de 40 mil amostras de corpos fora dos bancos de DNA – PIRANOT

O Ministério da Justiça informou nesta segunda-feira (24) que cerca de 40 mil amostras de corpos não identificados permanecem em institutos médico-legais do país sem inclusão nos bancos de DNA.

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O total é preliminar. Simone de Jesus, técnica da Coordenação de Políticas sobre Pessoas Desaparecidas, afirmou que os dados ainda serão analisados e confirmados. Isso significa que as 40 mil amostras físicas não podem ser tratadas como perfis genéticos já processados nem como um estoque definitivo.

A diferença de escala expõe o desafio: os bancos reúnem hoje 14.139 amostras de corpos não identificados. Se a estimativa for confirmada sem duplicidades ou mudanças metodológicas, o volume fora das bases equivalerá a 2,83 vezes o estoque cadastrado, ou cerca de 183% a mais. A inclusão permite comparar o DNA dos corpos com o material fornecido por parentes de desaparecidos.

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Bases já permitiram identificar 815 pessoas

O Ministério registra 10.574 perfis de familiares que procuram parentes desaparecidos. A comparação genética entre esses materiais e amostras de pessoas mortas levou à identificação de 815 pessoas no país. Desse conjunto, 112 identificações — aproximadamente 13,7% — ocorreram após as mobilizações nacionais de coleta realizadas em 2024 e 2025.

O país registra cerca de 80 mil boletins de desaparecimento por ano, de acordo com a Coordenação. Esse total mede ocorrências, não pessoas ainda desaparecidas, e por isso não deve ser comparado diretamente com o número de amostras armazenadas.

A Mobilização Nacional de Identificação de Pessoas Desaparecidas coordena ações federais e estaduais para coletar DNA de familiares, identificar pessoas vivas sem identidade conhecida e pesquisar impressões digitais de pessoas mortas ainda não identificadas.

Em 26 de março de 2025, o PIRANOT noticiou a identificação por DNA dos restos mortais de Yasmin Belemel de Oliveira, desaparecida desde agosto de 2023. O caso mostrou a aplicação do exame na região de Charqueada, sem relação estabelecida com o passivo nacional agora estimado.

Ministério prepara cronograma com os estados

Depois da conferência dos dados, o Ministério pretende montar com os estados um cronograma para processar as amostras e inseri-las nos bancos de DNA. A coleta e o processamento costumam envolver laboratórios das polícias civis, o que torna a execução dependente da coordenação entre a estrutura federal e as unidades estaduais.

O Ministério não informou a data de corte e a metodologia, a distribuição por estado, a capacidade dos laboratórios nem o orçamento necessário. Também não há recorte confirmado para São Paulo ou Piracicaba.

A próxima etapa é validar o total preliminar e, a partir dele, definir com os estados a ordem de processamento. A inserção das amostras ampliará as possibilidades de cruzamento com os 10.574 perfis de familiares e poderá dar nome a pessoas mortas que permanecem sem identificação.

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Fonte: Piranot – Link original da matéria

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