O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou crédito de R$ 77,5 milhões para um centro de pesquisa e processamento de terras raras da Viridis, em Poços de Caldas (MG). O investimento coloca em teste a capacidade brasileira de avançar além da extração mineral.
O recurso será destinado ao Centro de Pesquisa e Processamento de Terras-Raras, primeira etapa do Projeto Colossus, e a uma unidade-piloto ou planta de demonstração. O investimento cobre pesquisa e processamento experimental, sem representar, por si só, uma planta industrial em operação ou a fabricação nacional de produtos finais.
Crédito mira pesquisa e demonstração em Poços de Caldas
Terras raras são insumos empregados em componentes tecnológicos, como ímãs permanentes, eletrônicos, veículos elétricos, turbinas e equipamentos de defesa. A etapa de processamento define quanto valor industrial permanece na cadeia produtiva.
No caso da Viridis, o projeto prevê uma unidade-piloto para produzir carbonato misto de terras raras e testar técnicas que poderão ser usadas posteriormente em uma planta industrial de maior escala.
O valor do crédito equivale, por comparação aritmética, a 3,875% dos R$ 2 bilhões de aporte da União previstos para um fundo da nova política mineral. A relação entre as cifras não significa que o financiamento do BNDES faça parte desse fundo.
Senado aprova incentivos para processamento de minerais críticos
A iniciativa ocorre após a aprovação, pelo Senado Federal, da Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, encaminhada para sanção presidencial. O texto prevê até R$ 7 bilhões em incentivos para processamento e transformação desses minerais.
Do total, R$ 2 bilhões correspondem a um fundo com aporte da União e os benefícios fiscais podem chegar a R$ 5 bilhões. A política busca estimular etapas industriais no país, em vez de limitar a cadeia à extração e à exportação de matéria-prima.
Extrair o mineral não é o mesmo que processá-lo, refiná-lo ou convertê-lo em componentes tecnológicos. O crédito em Poços de Caldas financia pesquisa e demonstração; a passagem para uma escala comercial dependerá das próximas etapas do projeto e das exigências aplicáveis ao setor.
Processamento local concentra disputa por valor agregado
Reservas minerais indicam recursos geológicos estimados, mas não comprovam capacidade de extração, separação química, refino ou fabricação industrial. O resultado do aporte será medido pela parcela do processamento que poderá ser realizada no Brasil e pela capacidade de transformar o mineral em produtos de maior valor agregado.
Com o crédito do BNDES e os incentivos aprovados pelo Senado, a discussão passa a ser como o país converter seu potencial mineral em pesquisa, processamento e indústria, com exigências ambientais e industriais compatíveis com essa nova cadeia.
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