A produção manufatureira argentina caiu 5% entre junho e julho de 2026, o maior recuo em 16 meses, enquanto a inflação acumulada em 12 meses chegou a 33,8% em julho. O contraste mantém a atividade industrial e o emprego no centro do debate econômico no país.
A desaceleração da inflação é um dos principais resultados econômicos reivindicados pelo governo de Javier Milei, presidente da Argentina em 2026. Mas representantes da indústria afirmam que a queda dos preços não se traduziu, por si só, em recuperação das fábricas, do consumo ou dos postos formais.
Indústria relata fechamento de empresas e capacidade ociosa
Em dezembro de 2023, Milei assumiu a Presidência argentina. Desde então, dados do setor indicam que cerca de 30 mil empresas encerraram atividades e que mais de 240 mil empregos formais privados foram perdidos. A União Industrial Argentina (UIA) estima aproximadamente 90 mil empregos industriais perdidos desde agosto de 2023.
Em junho de 2026, a indústria operava com cerca de 40% de capacidade ociosa. Empresários atribuem a pressão sobre o setor à concorrência de importados, aos juros do crédito, à carga tributária e à fragilidade do consumo, fatores que representam avaliações do segmento, não uma relação causal demonstrada para toda a economia.
Casos empresariais refletem a redução de escala
Na fabricante de calçados Kioshi, o quadro passou de 120 funcionários em 2023 para 14 em 2026. O caso ilustra a redução de escala relatada por empresas, mas não permite generalizar a situação para toda a indústria argentina nem atribuir os cortes a uma única medida econômica.
A economia argentina cresceu em 2025, impulsionada por hidrocarbonetos, mineração e agronegócio, enquanto comércio e indústria enfrentaram retração. Para o Brasil, o efeito sobre o intercâmbio comercial ainda depende da evolução dos setores e das cadeias produtivas ligadas aos dois países.
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