A Justiça de São Paulo determinou, em decisão de 2 de agosto de 2026, a retirada da tornozeleira eletrônica e a revogação do recolhimento noturno de Karen de Moura Tanaka Mori, conhecida como “Japa”. Segundo a investigação, ela é suspeita de atuar na ocultação de patrimônio para uma organização criminosa.
A decisão atende a um pedido da defesa da investigada, que sustentou no processo que a manutenção das restrições configurava constrangimento ilegal. Os advogados afirmaram que Karen permaneceu à disposição das autoridades e cumpriu as regras durante todo o período de monitoramento. As medidas cautelares diversas da prisão haviam sido impostas pelo Judiciário paulista em agosto de 2025.
A revogação do monitoramento eletrônico ocorre em uma investigação iniciada em 2023 sobre a movimentação financeira de operadores do Primeiro Comando da Capital (PCC) no litoral paulista. Karen não foi denunciada nem condenada no caso.
Prisão em flagrante e movimentações financeiras
Karen de Moura Tanaka Mori foi presa em flagrante pela Polícia Civil em 1º de fevereiro de 2024. Durante a ação policial realizada naquele dia, os agentes apreenderam R$ 1.000.000,00 em espécie e US$ 50.000,00 em moeda estrangeira.
Relatórios encaminhados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontam R$ 35.000.000,00 em movimentações financeiras consideradas atípicas em uma empresa vinculada à investigada. Segundo a investigação, Karen é viúva de Wagner Ferreira da Silva, conhecido como “Cabelo Duro”, apontado como liderança da facção criminosa e assassinado em fevereiro de 2018 na capital paulista.
Em julho de 2026, a Operação Janus mirou um banco clandestino ligado à mesma organização na Baixada Santista.
Fundamentação da decisão judicial
A decisão foi assinada pela juíza Paula Regina Schempf Cattan, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. A magistrada considerou o tempo decorrido desde a imposição das restrições, em 1º de agosto de 2025, sem denúncia formalizada e com investigações e perícias ainda pendentes.
Para a juíza, a manutenção das restrições por tempo indeterminado seria desproporcional e poderia caracterizar pena antecipada. A defesa sustentou que a investigada cumpriu rigorosamente todas as determinações judiciais durante um ano e não violou as regras do monitoramento.
Passaporte retido e prazo de 30 dias
Apesar da retirada da tornozeleira eletrônica e do fim do recolhimento noturno, Karen continua sob investigação por lavagem de dinheiro e associação criminosa. O passaporte permanece retido, e ela está proibida de deixar o estado de São Paulo sem autorização judicial.
A Polícia Civil e o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) não detalharam os motivos da demora no oferecimento da denúncia após o encerramento do inquérito principal. A juíza determinou que a Polícia Civil apresente, em 30 dias, um relatório sobre o andamento das investigações e das perícias pendentes.



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