O milho ganhou força no Brasil nesta segunda-feira (24), sustentado pela retração dos vendedores e pelo cenário externo, informou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), apesar do avanço da colheita da segunda safra.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, registrou o Indicador Esalq/B3 em R$ 67,90 por saca de 60 quilos na praça de Campinas na sexta-feira (21). O valor subiu 0,24% no dia e acumulou valorização de 4,06% em agosto; convertido em dólar, ficou em US$ 13,20 por saca.
A alta ocorre mesmo com uma produção brasileira estimada em 143 milhões de toneladas na temporada 2025/26. A aparente contradição resulta da diferença entre o volume total da safra e a quantidade disponível para negociação imediata: produtores restringem ofertas no mercado à vista, em contratos futuros e em lotes destinados à exportação, enquanto compradores elevam propostas para assegurar cargas e recompor estoques.
Safra recorde convive com oferta menor para negócios imediatos
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima 143 milhões de toneladas de milho no país em 2025/26. Desse total, 111 milhões devem vir da segunda safra, 29,5 milhões da primeira e 2,4 milhões da terceira. A companhia projeta consumo interno de 95 milhões de toneladas e estoque final de 15,58 milhões, equivalente a cerca de 16,4% da demanda doméstica calculada.
O volume agregado não anulou a limitação da oferta corrente identificada pelo Cepea. Em 8 de junho de 2026, o mercado apresentava a configuração oposta: oferta elevada, baixa externa e compradores afastados levaram o preço nominal ao menor nível em oito meses. Desde 27 de julho, o centro de pesquisa registra vendedores mais retraídos. Em 10 de agosto, também apontou cautela compradora e exportações abaixo das observadas em julho de 2025.
No exterior, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) reduziu, em 12 de agosto, a estimativa de produtividade das lavouras norte-americanas de 183 para 180,7 bushels por acre. Embora a projeção de produção tenha passado de 16 bilhões para 16,013 bilhões de bushels, a previsão de estoques finais caiu de 1,790 bilhão para 1,653 bilhão de bushels, redução de 7,7%.
O USDA também elevou a previsão de exportações norte-americanas de 3,2 bilhões para 3,275 bilhões de bushels. A combinação de produtividade menor, vendas externas maiores e estoques finais reduzidos reforçou as cotações internacionais. Perspectivas menos favoráveis para a União Europeia e incertezas no Mar Negro completam o suporte externo apontado pelo Cepea.
Retenção dos produtores condiciona a duração da alta
A continuidade do movimento dependerá do volume que os produtores aceitarão negociar e da necessidade de reposição das indústrias consumidoras. O milho abastece a fabricação de ração para aves e suínos, a produção de etanol e diferentes segmentos de alimentos processados. Ainda não há estimativa confirmada de repasse desta alta para carnes, ovos, combustíveis ou inflação.
Os dados consolidados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços chegam apenas até julho de 2026, antes de captarem o efeito completo das exportações de agosto sobre a disponibilidade doméstica. Por ora, a retenção dos vendedores mantém os compradores oferecendo valores maiores para garantir cargas e recompor estoques.



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