Pagamento de R$ 5 milhões à empresa de ex-presidente põe Sport sob análise – PIRANOT

Informações divulgadas nesta sexta-feira (28) indicam que o Comitê de Ética do Futebol Brasileiro recebeu uma representação sobre o destino de cerca de R$ 5 milhões pagos ao Sport e transferidos à Múltipla, empresa ligada ao ex-presidente Yuri Romão. A CBF não confirmou a abertura do processo.

A quantia corresponde a 26,3% dos R$ 19 milhões em receitas futuras antecipados pelo clube em setembro de 2025, quando o Sport estava em recuperação judicial. O questionamento envolve uma parcela creditada em dezembro de 2025, que percorreu um fluxo diferente daquele previsto no acordo financeiro.

A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) declarou que não teve acesso ao procedimento e não comenta assuntos do comitê, definido pela entidade como independente e autônomo. Yuri Romão, que deixou a presidência do Sport em novembro de 2025, sustenta que a transferência não foi um repasse, mas o ressarcimento de recursos colocados pela Múltipla no clube.

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Divergência bancária alterou o destino da parcela

O Condomínio Forte União (CFU), responsável pela conta centralizadora das receitas negociadas pela Liga Forte União, afirmou que determinou por escrito uma destinação diferente para o pagamento. Segundo o CFU, o Banco Genial encaminhou o dinheiro à conta do Sport com base em documentos firmados entre o banco e o clube, sem conhecimento do condomínio.

O CFU declarou que notificou a instituição financeira quando identificou a divergência e que o banco reconheceu não ter seguido suas instruções. O condomínio acrescentou que acompanha regularmente as movimentações da conta e permanece disponível para colaborar com as providências adotadas pela atual diretoria do Sport.

A operação foi exposta pela administração do clube durante a discussão sobre obrigações financeiras herdadas. Em uma manifestação do departamento jurídico do Sport, a gestão informou que a antecipação envolveu receitas futuras e uma empresa do então presidente.

Romão chama transferência de ressarcimento

Na versão apresentada por Yuri Romão, a Múltipla teria obtido financiamento para disponibilizar dinheiro ao Sport com maior rapidez, porque a recuperação judicial dificultava a contratação direta de crédito pelo clube. Ele afirma que empresas próprias já haviam sido utilizadas para aportar recursos em períodos de necessidade.

Romão também declarou que a operação projetava receita entre R$ 13 milhões e R$ 14 milhões, mas teria produzido R$ 5,7 milhões. A diferença entre o resultado alegado e o teto da projeção chega a R$ 8,3 milhões, ou 59,3%. Esses valores integram a versão do ex-presidente e não esclarecem, isoladamente, a natureza nem a documentação da dívida atribuída pelo Sport à Múltipla.

Documentos definirão a regularidade do pagamento

A análise deverá confrontar o acordo de antecipação, as instruções dirigidas ao banco e os documentos usados para transferir a parcela à conta do clube. A questão central é se o posterior pagamento à Múltipla correspondia a uma obrigação regularmente constituída ou a uma destinação incompatível com o fluxo financeiro contratado.

A representação não equivale a condenação. Na prática, o caso opõe a instrução bancária indicada pelo CFU à versão de Romão de que a Múltipla apenas recebeu de volta recursos anteriormente colocados no Sport.

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Fonte: Piranot – Link original da matéria

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