A Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (ABiogás) projetou nesta quinta-feira (20) R$ 216 bilhões em investimentos privados no Brasil até 2035, mas condicionou a cifra à adoção de medidas regulatórias e de mercado.
A ABiogás associa o plano a R$ 57 bilhões por ano em receitas adicionais e à criação de mais de 251 mil empregos diretos. A projeção alcança energia, agro e logística, porém a entidade não divulgou a metodologia de cálculo nem a divisão dos R$ 216 bilhões entre projetos comprometidos e investimentos potenciais.
A agenda prevê uma instância de governança nacional, o avanço do Certificado de Garantia de Origem do Biometano (CGOB), tratamento tributário para o combustível e infraestrutura capaz de ampliar produção, distribuição e consumo.
Produção atual usa menos de 2% do potencial estimado
A associação calcula que o país poderia produzir até 120 milhões de metros cúbicos de biometano por dia, enquanto o aproveitamento atual ficaria abaixo de 2% desse volume. Também estima capacidade de substituir R$ 42 bilhões anuais em importações e evitar mais de 230 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente por ano, volume correspondente a cerca de 10% das atuais emissões brutas de gases de efeito estufa do Brasil.
As estimativas de produção, importações evitadas e redução de emissões são da ABiogás. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mantém um painel com produtores regulados, capacidades autorizadas, produção regional e matérias-primas, que permite acompanhar a expansão efetiva do setor.
Na logística, o plano propõe corredores e condições para incorporar mais de 40 mil caminhões movidos a biometano até 2035, além de ampliar o combustível em frotas urbanas. No agro, prevê estimular a produção e o uso de biofertilizantes para reduzir a dependência de insumos importados. A agenda também contempla combustíveis avançados à base de CO2 biogênico.
Meta de 2026 abre mercado para o biometano
Em 2024, a Lei do Combustível do Futuro criou o Programa Nacional de Descarbonização do Produtor e Importador de Gás Natural e de Incentivo ao Biometano. A norma atribuiu ao Conselho Nacional de Política Energética a definição anual da redução de emissões no mercado de gás natural. Para 2026, o Conselho Nacional de Política Energética aprovou meta inicial de 0,5%.
A individualização das obrigações ainda passa pela regulamentação da ANP. Em 12 de janeiro de 2026, a agência realizou audiência pública sobre a resolução que definirá metas individuais ligadas ao certificado de origem.
O plano trabalha com um horizonte de nove anos, mas a ABiogás não informou quanto da cifra já está ligado a investidores comprometidos. A execução dependerá da publicação das regras e da apresentação de projetos financiados.
Se as medidas avançarem, o biometano poderá ganhar espaço no transporte, nas frotas urbanas e na indústria, enquanto os biofertilizantes poderão reduzir a exposição do agro brasileiro a insumos importados.



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