A operação da Polícia Federal desta quinta-feira (10) contra o deputado Mario Frias (PL-SP), aliado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), parte de investigação da Polícia Civil de São Paulo — força sob o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos). O governador afirmou, ainda em agosto, que cumpriria decisões do STF sobre o compartilhamento de provas e negou interferência ou atraso nas apurações e ações do caso Dark Horse.
A Operação Make Up cumpre 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal, com autorização do ministro Flávio Dino e apoio da Controladoria-Geral da União (CGU). A linha mira suspeito desvio de emendas e propina ligados ao financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro.
- Alvo político: Mario Frias, aliado de Flávio Bolsonaro e atuante na produção.
- Origem estadual: material apreendido pela Polícia Civil de SP alimentou a etapa federal.
- Dino autorizou a PF a acessar as provas da PC-SP e, depois, os 49 mandados da Make Up.
- Tarcísio disse que cumpriria o STF e negou interferência nas investigações.
Antes da ofensiva federal desta quinta, a Polícia Civil paulista já havia reunido documentos e mídias em apurações que alcançaram a produtora Karina Gama e entidades ligadas a ela, como o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). Em agosto, Dino autorizou a PF a acessar a íntegra desse acervo — relatórios, dados brutos de celulares e computadores, documentos contábeis e a cadeia de custódia — para aprofundar o inquérito sob relatoria no STF.
Na prática, a Make Up federaliza e amplia a etapa ostensiva a partir da base estadual. A PF afirma, em nota, que investiga organização criminosa suspeita de direcionar recursos de emendas, repassados por termo de fomento a organização da sociedade civil, para empresas subcontratadas sem comprovação de serviço.
Tarcísio e a postura de não interferência
Quando o STF determinou o compartilhamento dos documentos apreendidos em São Paulo, Tarcísio de Freitas afirmou publicamente que cumpriria a decisão e negou atraso na investigação estadual sobre o filme. A leitura institucional no governo paulista é a de que a Polícia Civil atuou em sua linha e que o Executivo estadual não teria interferido nas investigações nem nas ações decorrentes do caso.
O contraste político é inevitável: o alvo federal da quinta é um aliado de Flávio Bolsonaro — e o material de origem veio da polícia do estado governado por Tarcísio, também do campo da direita e potencial adversário na disputa de 2026. Até a publicação desta reportagem, o Palácio dos Bandeirantes não havia detalhado nova nota específica sobre o cumprimento dos 49 mandados.
“Suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares repassadas, por meio de termo de fomento, à organização da sociedade civil.”
Polícia Federal, nota da Operação Make Up
O que a PF cumpre nesta quinta
Entre os alvos estão Mario Frias e Karina Gama. A auditoria da CGU aponta indicação de cerca de R$ 2 milhões em emendas do deputado a produtoras ligadas a ela com gastos não comprovados. Não há mandados de prisão nesta etapa — apenas busca e apreensão. Os crimes sob apuração incluem peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
O PIRANOT acompanhou a ponte estadual-federal em cobertura da autorização de Dino para a PF acessar a investigação da produtora e na matéria sobre os 49 mandados da Make Up.
Até a publicação desta reportagem, a assessoria de Mario Frias e a defesa de Karina Gama não haviam divulgado nota pública detalhada sobre as diligências desta quinta.
Fontes: Polícia Federal (nota da Operação Make Up, 10/09/2026); STF (compartilhamento de provas da PC-SP); declarações públicas de Tarcísio de Freitas sobre o cumprimento da decisão.
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