Aromas sintéticos atraem morcegos e podem apoiar restauração florestal – PIRANOT

Estudos conduzidos pela Embrapa Florestas, pelo Instituto Federal do Paraná e pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná indicam que aromas sintéticos podem atrair morcegos dispersores de sementes e apoiar a restauração de áreas degradadas. A técnica é complementar e não substitui, por si só, o plantio de mudas.

Os testes usam frações de óleos essenciais e substâncias produzidas artificialmente em pequenas quantidades. Guiados pelo olfato, morcegos frugívoros circulam pela paisagem e dispersam sementes nas fezes, processo que pode favorecer a chegada de plantas a áreas com vegetação degradada ou fragmentada.

Pesquisa busca reproduzir atração de óleos essenciais

Segundo Sandra Mikich, compostos sintéticos disponíveis no mercado tiveram efeito atrativo semelhante ao dos óleos naturais quando aplicados em pequenas quantidades. A equivalência relatada se refere à atração dos animais, não à recuperação florestal em escala.

Os estudos com óleos essenciais extraídos de frutos consumidos por morcegos frugívoros são relatados desde 2003. Nos seis anos anteriores a 13 de setembro de 2026, pesquisadores testaram frações desses óleos e substâncias sintéticas equivalentes.

Além de Sandra Mikich, a pesquisa reúne Gledson Bianconi, do Instituto Federal do Paraná, e Lays Cherobim, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Os resultados são apresentados na publicação Tecnologia de restauração florestal baseada na atração de morcegos dispersores de sementes.

Técnica pode complementar a recuperação de áreas degradadas

A proposta busca estimular a dispersão natural de sementes e reduzir a dependência exclusiva do plantio de mudas. O uso de substâncias sintéticas também pode diminuir a necessidade de coletar frutos silvestres para extrair óleos essenciais puros.

Na Mata Atlântica, que conserva cerca de 12,4% de sua cobertura original, segundo o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica, a conectividade entre fragmentos e a chegada de sementes são fatores relevantes para a regeneração da vegetação.

O potencial econômico da técnica permanece como hipótese: não há comparação verificável de custo por hectare, aplicação, monitoramento ou desempenho frente à produção e ao plantio de mudas. A restauração depende também de sementes disponíveis, controle das fontes de degradação, conectividade entre fragmentos e acompanhamento da vegetação.

Assim, os compostos aromáticos podem se tornar uma ferramenta adicional para estimular processos naturais de dispersão de sementes, sobretudo em paisagens fragmentadas, desde que seu uso seja integrado a estratégias de restauração e monitoramento ambiental.


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Fonte: Piranot – Link original da matéria

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