A BrasilAgro fechou o quarto trimestre do ano-safra 2025/26, encerrado em 30 de junho, com prejuízo líquido de R$ 13,9 milhões, após lucrar R$ 61,3 milhões no período comparável de 2025.
Os números divulgados pela companhia mostram que a receita líquida total ficou em R$ 289,5 milhões, queda de 20% no trimestre. Sem as vendas de fazendas, a receita operacional alcançou R$ 255,9 milhões e cresceu 12%. O contraste indica que a melhora da atividade agrícola não foi suficiente para preservar o resultado líquido.
Para dimensionar o valor, o prejuízo equivale a 0,38% do orçamento municipal de Piracicaba de 2026. A reversão foi influenciada pela retração da cana-de-açúcar, pela ausência dos ganhos relevantes com fazendas registrados no período comparável e pela virada negativa do resultado financeiro.
Soja avança 76%; cana perde receita e volume
A soja sustentou a principal melhora informada no trimestre. A receita da cultura aumentou 76%, para R$ 167,4 milhões, enquanto o volume faturado cresceu 80%, para 96,4 mil toneladas. A companhia atribuiu o avanço à concentração das vendas no quarto trimestre, depois do carregamento de estoques ao longo do exercício.
Na direção oposta, a receita da cana-de-açúcar recuou 60%, para R$ 33,3 milhões, acompanhada por redução de 57% no volume faturado, que terminou em 217,4 mil toneladas. A companhia relacionou o desempenho ao menor ritmo de moagem das usinas, com a postergação de cerca de 280 mil toneladas para os trimestres seguintes. A margem bruta da cultura passou de 12% para 10%.
O lucro bruto totalizou R$ 58,4 milhões, queda de 30%. O Ebitda ajustado operacional, por sua vez, alcançou R$ 56,6 milhões, ante resultado negativo de R$ 111 mil no trimestre equivalente de 2025.
Resultado financeiro e fazendas pesam na reversão
Em 2025, o trimestre comparável havia terminado com lucro líquido de R$ 61,3 milhões. No período encerrado em junho de 2026, o resultado financeiro ficou negativo em R$ 38,4 milhões, depois de um saldo positivo de R$ 12,9 milhões no ano anterior. A mudança ajuda a explicar por que o avanço operacional não chegou ao resultado líquido.
Também faltou uma contribuição equivalente à dos ganhos com venda de fazendas, que haviam somado R$ 72,2 milhões no quarto trimestre de 2024/25. A diferença é relevante porque a negociação de propriedades tem participação historicamente material no resultado total da BrasilAgro.
Ano-safra termina com prejuízo de R$ 90 milhões
No acumulado do ano-safra 2025/26, a BrasilAgro teve prejuízo líquido de R$ 90 milhões, após lucro de R$ 138 milhões em 2025. A receita líquida total caiu 25%, para R$ 926,7 milhões.
O desempenho das culturas foi desigual: a receita da soja cresceu 22%, para R$ 444,8 milhões, e a do milho avançou 52%, para R$ 91,7 milhões. A cana recuou 39%, para R$ 197,5 milhões.
O Ebitda ajustado operacional anual cresceu 11%, para R$ 97,3 milhões, enquanto o Ebitda ajustado total caiu 63%, para R$ 99,3 milhões. No mesmo intervalo, a receita com venda de fazendas passou de R$ 241,3 milhões para R$ 4,1 milhões, e o ganho reconhecido nessas operações recuou de R$ 180,1 milhões para R$ 2,1 milhões. Os números mostram que o avanço de soja e milho melhorou a operação, mas não compensou a retração da cana, a piora financeira e a forte redução da contribuição imobiliária.
Ler com calma mais tarde?
Guarde esta reportagem na sua Área do Leitor do PIRANOT.



Deixe uma Resposta