Da fábrica de calhas em Piracicaba à automação pesada: a estratégia de Felipe Pizzinatto para consolidar a marca nacionalmente – PIRANOT

Preservar a história de uma empresa familiar sem transformar o legado em imobilidade é o desafio que Felipe Pizzinatto coloca no centro do próximo ciclo do Grupo Pizzinatto. À frente do negócio fundado por seu pai, Antônio Francisco Pizzinatto, ele defende que valores e proximidade com os clientes devem caminhar ao lado de processos profissionais, inovação e novas exigências da construção civil.

A empresa nasceu em Piracicaba, em 1981, como uma pequena fábrica de calhas. Cinco anos depois, passou a produzir telhas de aço e se tornou pioneira regional no segmento. Em agosto, a companhia celebrou 45 anos no Palacete Luiz de Queiroz, durante o Village Arte Decor 2026. Nesta entrevista ao PIRANOT, Felipe fala sobre sucessão, portfólio, sustentabilidade e os próximos dez anos do grupo.

Da fábrica de calhas à indústria

Foto: Divulgação

A Pizzinatto nasceu em 1981 como uma pequena fábrica de calhas. Qual foi o momento decisivo para transformar aquele negócio em uma indústria de referência em coberturas de aço?

Felipe Pizzinatto — “Acredito que não houve um único momento decisivo, mas uma sequência de decisões que foram mudando o tamanho e a visão do negócio. A principal delas foi perceber que existia uma oportunidade em torno do aço e das soluções para cobertura, em um momento em que esse mercado ainda estava começando a ganhar espaço no Brasil.

Meu pai teve essa visão muito cedo. A partir dali, a empresa deixou de olhar apenas para o produto que fabricava naquele momento e passou a pensar em quais necessidades do mercado poderia atender no futuro. Essa capacidade de enxergar a mudança e se adaptar foi fundamental para chegarmos aos 45 anos com uma empresa muito diferente daquela pequena fábrica de calhas de 1981.”

Seu pai, Antônio Francisco Pizzinatto, investiu em telhas de aço quando o produto ainda era pouco conhecido no Brasil. O que essa aposta representou para a empresa e para a família?

Felipe Pizzinatto — “Representou a essência do nosso propósito corporativo. Toda história de origem de uma marca forte carrega uma visão pioneira que conecta emocionalmente as gerações. Meu pai teve a coragem de ser o guia para um mercado que ainda desconhecia essa solução. Para a família, foi a prova de que inovar exige assumir riscos calculados; para a empresa, foi o alicerce que nos permitiu construir a autoridade que temos hoje no mercado nacional.”

A aposta no aço explica o salto inicial, mas não resume uma trajetória atravessada por ciclos econômicos, mudanças de consumo e transformações na construção civil. Para Felipe, a adaptação não foi uma resposta pontual: tornou-se parte da forma de conduzir a empresa.

Ao longo de 45 anos, quais desafios mais exigiram capacidade de adaptação da empresa?

Felipe Pizzinatto — “Uma empresa que atravessa 45 anos necessariamente passa por diferentes ciclos econômicos, mudanças de comportamento do consumidor, transformações tecnológicas e períodos de maior ou menor atividade na construção civil. O desafio é não perder a visão de longo prazo durante essas mudanças.

Para nós, adaptação nunca significou simplesmente reagir às dificuldades. Significou entender o que estava mudando e decidir como a empresa deveria se posicionar diante disso. Também tivemos um desafio importante na transição entre gerações. A continuidade de uma empresa familiar exige respeito pela história, mas também disposição para questionar processos, modernizar a gestão e preparar a organização para uma realidade diferente daquela em que ela foi criada.”

Sucessão sem imobilidade

A morte de Antônio Francisco Pizzinatto, em 2008, levou a sucessão para o centro das decisões. A questão, diz o filho, era manter a identidade da companhia sem reproduzir uma estrutura que já não respondia ao tempo presente.

Como a família preservou os valores deixados por Antônio e, ao mesmo tempo, profissionalizou e modernizou a gestão?

Felipe Pizzinatto — “A perda do meu pai foi, naturalmente, um momento muito marcante para a família e para a empresa. Mas preservar o legado dele nunca significou tentar manter a empresa exatamente como era.

Acredito que esse é um ponto importante quando falamos de uma empresa familiar: legado não é imobilidade. Os valores precisam permanecer, mas a forma de administrar precisa acompanhar o tempo.

Foi necessário profissionalizar processos, ampliar a visão de gestão e tomar decisões pensando cada vez mais na sustentabilidade do negócio no longo prazo. Ao mesmo tempo, procuramos preservar aquilo que estava na essência da empresa desde o início: seriedade nas relações, proximidade com os clientes, respeito pelas pessoas e disposição para trabalhar e evoluir.”

“Legado não é imobilidade. Os valores precisam permanecer, mas a forma de administrar precisa acompanhar o tempo.”Felipe Pizzinatto

Felipe Pizzinatto durante entrevista ao PIRANOT
Felipe Pizzinatto fala sobre sucessão familiar e modernização da empresa. Foto: Divulgação

Portfólio, cidade e expansão

Da sucessão, a conversa passa ao que a empresa vende. O catálogo que começou em calhas hoje reúne telhas termoacústicas, telhas zipadas, produtos em alumínio e outras soluções — uma ampliação que Felipe atribui menos a uma estratégia de produto do que à mudança nas exigências das obras.

Como aconteceu a transformação do portfólio, hoje composto por telhas termoacústicas, telhas zipadas, calhas, produtos em alumínio e outras soluções?

Felipe Pizzinatto — “O portfólio foi crescendo à medida que entendemos que o cliente não precisava apenas de uma telha, mas de soluções cada vez mais adequadas ao projeto e à aplicação.

A construção civil evoluiu muito. Hoje existe uma preocupação maior com desempenho térmico e acústico, eficiência, velocidade de instalação, durabilidade e especificações técnicas. Naturalmente, uma empresa que acompanha esse movimento precisa ampliar sua capacidade de oferecer soluções.

Por isso, nosso portfólio é resultado muito mais da escuta do mercado do que de uma estratégia de simplesmente ter mais produtos. A pergunta sempre foi: qual problema do cliente podemos resolver melhor?”

Qual é o papel de Piracicaba na estratégia e no planejamento de expansão da Pizzinatto?

Felipe Pizzinatto — Piracicaba não é apenas o nosso endereço; é o nosso berço operacional e estratégico. A cidade nos fornece uma base logística privilegiada e mão de obra incrivelmente qualificada. Nossa história está entrelaçada com o desenvolvimento industrial da região, e nosso planejamento de longo prazo contempla, sem dúvida, a expansão contínua de nossas operações e a geração de valor econômico e social aqui.”

Se Piracicaba é a base, o mercado que a empresa persegue não é local. Felipe descreve uma operação voltada a obras de grande porte espalhadas pelo país.

Em quais mercados a empresa vê hoje maior potencial de crescimento?

Felipe Pizzinatto — “Hoje operamos com uma capilaridade que nos permite atender grandes projetos de infraestrutura em todo o Brasil. Atualmente, o maior potencial de crescimento e onde temos direcionado nossa inteligência de mercado B2B, prospecção e atuação comercial ativa está nos setores de construção civil pesada, arquitetura industrial avançada e no desenvolvimento de coberturas metálicas complexas para centros de distribuição e agronegócio.”

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Felipe Pizzinatto na sede da empresa, em Piracicaba. Foto: Divulgação

Sustentabilidade e o próximo ciclo

O último bloco da conversa trata do que vem pela frente. Felipe parte de uma pressão que diz vir do próprio mercado — a certificação ambiental das obras — para descrever o que a fábrica já faz e o que pretende investir.

Como a empresa acompanha a demanda por soluções mais eficientes, sustentáveis e com melhor desempenho térmico e acústico?

Felipe Pizzinatto — “O mercado não aceita mais materiais que não contribuam para a certificação verde das obras. Nós antecipamos essa demanda. Como mencionei, o nosso núcleo de PIR quimicamente injetado é um exemplo claro de como entregamos excelência térmica e acústica. Ele reduz drasticamente o consumo de energia com climatização nos galpões dos nossos clientes, oferecendo uma solução altamente sustentável.”

Quais práticas e investimentos ambientais fazem parte atualmente da operação da Pizzinatto?

Felipe Pizzinatto — “Integrar a sustentabilidade de forma autêntica ao produto e à cultura da empresa tornou-se essencial, e não apenas uma estratégia de comunicação para evitar o “greenwashing”. Otimizamos nossos processos para garantir desperdício quase zero de aço, implementamos sistemas de reaproveitamento hídrico e de energia em nossa fábrica, e nossos produtos são projetados para ter uma vida útil excepcionalmente longa e serem 100% recicláveis ao final do ciclo.”

As medidas ambientais citadas nesta resposta são declarações da empresa. Elas ajudam a situar a estratégia apresentada pelo executivo, mas seus resultados dependem de indicadores e metas que possam ser acompanhados ao longo do tempo.

Quais investimentos em tecnologia, máquinas, processos e qualificação profissional estão previstos para o próximo ciclo?

Felipe Pizzinatto — “Estamos investindo fortemente na automação do chão de fábrica com maquinário de injeção de poliuretano e perfiladeiras de última geração. No campo humano, estamos ampliando os programas de capacitação técnica da nossa equipe comercial e de engenharia, além de integrar inteligência de dados, CRM e ERP para criar uma jornada de compra B2B sem atritos, unindo marketing e vendas de forma definitiva.”

Automação, dados e capacitação formam o plano de curto prazo. A pergunta final devolve a conversa ao ponto de partida: o que dessa estrutura nova a família pretende deixar como herança.

Qual é o principal objetivo para os próximos dez anos e que legado a família pretende deixar para as futuras gerações?

Felipe Pizzinatto — “Nosso objetivo para a próxima década é consolidar a Pizzinatto como a principal fabricante de telhas e acessórios para coberturas no Brasil.

Meu pai começou uma pequena fábrica de calhas em 1981. Quarenta e cinco anos depois, olhar para essa trajetória gera muito orgulho. Mas também gera muita responsabilidade. A nossa tarefa agora é garantir que a Pizzinatto continue evoluindo sem perder os valores que fizeram essa história existir e ter a certeza de que Deus faz parte disso tudo.”

Análise do editor — Júnior Cardoso

A entrevista deixa claro que a transição da Pizzinatto não é apresentada como ruptura, mas como um esforço de atualizar uma empresa familiar sem abandonar sua cultura. O ponto forte da conversa está justamente nessa tensão: tradição, quando vira método imutável, limita a empresa; quando se transforma em referência para decisões novas, pode sustentar a próxima etapa.

Felipe associa esse próximo ciclo à automação, aos dados e à entrada em projetos maiores. Para Piracicaba, a promessa relevante é a de manter a cidade como base da operação enquanto a companhia busca escala nacional. O desafio será transformar essa intenção em resultados verificáveis — expansão com emprego, eficiência e transparência sobre os compromissos ambientais anunciados.

Fonte: Piranot – Link original da matéria

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