O preço médio do diesel nos Estados Unidos alcançou US$ 5,85 por galão na quinta-feira (3), marca divulgada na sexta-feira (4) como recorde nominal. A alta ocorre em meio às interrupções no abastecimento no Oriente Médio e aos gargalos no tráfego de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.
A American Automobile Association (AAA) é citada como origem da média nacional. O valor representa aumento aproximado de 55,6% sobre os US$ 3,76 por galão registrados no fim de fevereiro de 2026, antes da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã. A passagem de US$ 3,76 para US$ 5,85 acrescentou US$ 2,09 ao galão.
O recorde é nominal. Em 2022, o diesel chegou a quase US$ 5,82 por galão, valor equivalente a cerca de US$ 6,56 em preços de 2026. Em 2008, antes da crise financeira, os US$ 4,74 por galão corresponderiam hoje a cerca de US$ 7,20. Séries históricas da AAA e da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos permitem distinguir o preço registrado nas bombas do custo corrigido pela inflação.
Alta do petróleo aperta transporte e cadeias de alimentos
O petróleo Brent era negociado acima de US$ 95 por barril nesta sexta-feira, ante cerca de US$ 70 antes da guerra. A diferença supera US$ 25 por barril e reflete a pressão sobre o abastecimento e o sistema global de refino, embora não determine, isoladamente, quanto do avanço chegará aos derivados em cada país.
Nos Estados Unidos, o diesel abastece caminhões, máquinas agrícolas, barcos, trens, ônibus e geradores. O encarecimento atinge especialmente alimentos perecíveis, como frutas, verduras, carnes e pescados, que dependem de transporte e reposição frequentes.
A Independent Grocers Alliance, que reúne 7,5 mil supermercados, estima que os combustíveis representem de 15% a 30% do custo total dos alimentos. Em julho, os preços nos supermercados americanos subiram 2,7% em relação ao ano anterior, enquanto pescados avançaram 7% e frutas frescas, 4,9%.
Parte do choque é inicialmente absorvida pelos contratos de frete e pelas margens do varejo. O repasse tende a crescer à medida que esses contratos são reajustados e entram em vigor sobretaxas de combustível. Em abril, a Amazon implementou sobretaxa temporária de 3,5% por combustível e logística para alguns vendedores terceiros. UPS, FedEx e o Serviço Postal dos EUA também adicionaram taxas a algumas encomendas no início da guerra.
A gasolina americana também encareceu, embora em ritmo menor: o galão da comum chegou a US$ 4,15, ante US$ 3,20 doze meses antes e US$ 2,98 antes da guerra. Essa comparação anual pertence à gasolina e não representa a variação do diesel no mesmo período.
Repasse ao diesel brasileiro depende de câmbio e importações
O salto americano aumenta a pressão sobre energia e transporte, mas não equivale automaticamente a um reajuste no Brasil. O custo nas bombas brasileiras também depende de câmbio, importações, estoques, capacidade de refino, composição do diesel com biodiesel e política comercial da Petrobras.
Petrobras e Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) não informaram um efeito mensurável do movimento sobre os preços nacionais. Sem essa relação, os US$ 5,85 por galão não permitem calcular uma alta em reais por litro nem projetar reajustes de fretes e alimentos no país.
Em Piracicaba, também não há uma variação regional de preço, frete ou custo agroindustrial associada ao movimento externo. O canal imediato de transmissão permanece concentrado nos Estados Unidos, onde as sobretaxas de combustível já alcançam entregas e ampliam os custos das cadeias de transporte e alimentos.
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