O presidente Donald Trump anunciou na sexta-feira (21) que os Estados Unidos abrirão por 90 dias uma janela de até 300 mil toneladas de produto destinado à carne moída sem incidência da tarifa extra-cota, mas a inclusão do Brasil ainda não foi confirmada.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avalia que a medida poderá melhorar o acesso do produto nacional ao mercado norte-americano se o país for contemplado. Até este sábado (22), porém, o governo dos Estados Unidos não havia divulgado os países elegíveis, o rateio do volume, os produtos abrangidos nem a data operacional de início.
Se o Brasil for incluído, a retirada da tarifa extra-cota de 26,4% poderá favorecer embarques, receitas e margens. O efeito dependerá da regulamentação e das demais tarifas aplicáveis, já que as 300 mil toneladas correspondem ao teto total anunciado para todos os fornecedores, e não a uma reserva para exportadores brasileiros.
Brasil vendeu 205 mil toneladas aos Estados Unidos no semestre
De janeiro a junho de 2026, o Brasil exportou 205 mil toneladas de carne bovina aos Estados Unidos, com receita de US$ 1,35 bilhão, segundo a Abiec. O valor médio implícito ficou em aproximadamente US$ 6,59 mil por tonelada. O volume vendido no semestre equivale a 68,3% de toda a janela temporária anunciada, comparação que dimensiona o tamanho do mercado, mas não representa reserva de espaço ao produto brasileiro.
No conjunto das exportações brasileiras de carne bovina no primeiro semestre de 2026, o volume cresceu 13% e a receita avançou 29,8% ante igual período de 2025, conforme os dados da entidade. O desempenho reforça a relevância comercial da decisão americana, embora não permita calcular quanto as vendas cresceriam caso o Brasil tenha acesso à nova cota.
Em fevereiro de 2026, uma proclamação publicada no Federal Register ampliou em 80 mil toneladas a cota para aparas magras de carne bovina e destinou integralmente o acréscimo à Argentina, em quatro parcelas trimestrais. A primeira parcela entrou em vigor em 13 de fevereiro. A medida é distinta da janela de 300 mil toneladas anunciada em agosto.
Regulamentação definirá o acesso da carne brasileira
A próxima etapa é a publicação das regras pelo governo norte-americano. O texto deverá esclarecer quais países poderão participar, como as 300 mil toneladas serão distribuídas, quais cortes entrarão na janela e quais cobranças permanecerão aplicáveis durante os 90 dias.
Enquanto as novas regras não entrarem em vigor, o Brasil permanece no regime existente: participa de uma cota compartilhada com outros fornecedores e, depois do preenchimento desse limite, a carne brasileira fica sujeita à tarifa extra-cota de 26,4%, segundo a Abiec.



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