O mercado financeiro reduziu de 5,01% para 5,00% a mediana da inflação esperada para 2026, mas a projeção continua 0,50 ponto percentual acima do teto da meta, informou o Banco Central na terça-feira (8).
A revisão consta do Relatório Focus, que reúne expectativas de instituições financeiras para inflação, atividade econômica, juros e câmbio. Na mesma edição, a mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passou de 1,92% para 1,93%.
O Focus não é uma previsão oficial do Banco Central nem determina, por si só, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). A previsão para a taxa Selic no encerramento de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano.
Inflação recua, mas continua acima do teto da meta
A projeção de 5,00% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) permanece acima do teto de 4,50% da meta contínua de inflação. Desde janeiro de 2025, o centro da meta é de 3,00%, com intervalo de tolerância entre 1,50% e 4,50%.
O IPCA é o indicador oficial da inflação ao consumidor no país. Nos 12 meses até julho de 2026, o índice acumulava 4,44%, segundo o IBGE — resultado referente a uma janela diferente da projeção anual do Focus.
As estimativas para os anos seguintes apontam 4,29% de inflação em 2027, 3,80% em 2028 e 3,50% em 2029. O recuo de 0,01 ponto percentual na previsão para 2026 não elimina a distância entre a expectativa do mercado e o limite superior da meta.
Mercado prevê Selic de 13,75% no fim do ano
A Selic está em 14,00% ao ano, e a mediana do Focus indica 13,75% ao ano no fim de 2026. A diferença de 0,25 ponto percentual embutida nessa expectativa não assegura redução equivalente nas taxas cobradas ao consumidor, pois bancos e financeiras também consideram inadimplência, despesas e margens na formação do crédito.
Para 2027, 2028 e 2029, as projeções para a taxa básica são de 12,00%, 10,50% e 10,00% ao ano, respectivamente. A próxima reunião do Copom começa em 15 de setembro e termina no dia 16.
Projeção para o PIB sobe a 1,93%
A projeção de expansão de 1,93% para o PIB em 2026 é 0,37 ponto percentual inferior ao crescimento de 2,30% registrado em 2025, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No segundo trimestre de 2026, a economia avançou 0,50% ante o primeiro, e acumulou alta de 1,90% em 12 meses.
A projeção para o dólar no fim de 2026 permaneceu em R$ 5,20, enquanto a estimativa para o encerramento de 2027 ficou em R$ 5,30. Com a inflação ainda projetada acima do teto da meta, a decisão do Copom na próxima semana será o próximo marco para o cenário de juros.
Ler com calma mais tarde?
Guarde esta reportagem na sua Área do Leitor do PIRANOT.



Deixe uma Resposta