“Foi aqui que pude transformar um sonho em profissão”: Aninha Barros celebra 30 anos de carreira – PIRANOT

Aos 14 anos, Aninha Barros já disputava festivais e descobria que cantar seria mais do que um interesse de adolescência. Em 2026, a artista celebra 30 anos de carreira profissional com um show que percorre as canções de sua trajetória. Formada pelo Conservatório de Tatuí e ligada à cena cultural de Piracicaba, ela diz ter encontrado na cidade o público e as oportunidades que transformaram o sonho em profissão.

Aninha Barros celebra 30 anos de trajetória profissional na música. Foto: Divulgação

O sonho que virou profissão em Piracicaba

Aninha, como começou sua paixão pelo samba e de que forma Piracicaba influenciou sua trajetória musical?

Aninha Barros — “Minha história com a música começou muito cedo. Aos 14 anos já participava de festivais e descobri que cantar era o que fazia meu coração bater mais forte. O samba entrou na minha vida de forma natural, através da minha família, das rodas de amigos e da riqueza da música brasileira. Piracicaba foi fundamental nessa caminhada. Foi aqui que encontrei oportunidades, formei amizades, construí meu público e pude transformar um sonho em profissão. Tenho muito orgulho de levar o nome da minha cidade por onde passo.”

Quais foram os maiores desafios que você enfrentou para conquistar espaço no cenário do samba?

Aninha Barros — “Acredito que um dos maiores desafios foi mostrar que era possível viver da música com profissionalismo e persistência. O samba ainda enfrenta muitos preconceitos e, para uma mulher, muitas vezes é preciso provar o dobro da capacidade. Mas nunca deixei de acreditar no meu trabalho. Com dedicação, respeito ao público e muito amor pelo que faço, fui conquistando meu espaço.”

“Foi aqui que encontrei oportunidades, formei amizades, construí meu público e pude transformar um sonho em profissão.”
Aninha Barros

As vozes que formaram a cantora

Quem são suas maiores referências musicais e como elas influenciam seu estilo?

Aninha Barros — “Tenho muitas referências. Beth Carvalho, Clara Nunes, Alcione, Elis Regina e Maria Rita são artistas que sempre me inspiraram. Também gosto muito da elegância da MPB e de outros estilos que enriquecem minha interpretação. Procuro levar para o palco a força do samba, mas também a emoção e a verdade em cada canção.”

O samba vive um momento de renovação. Como você enxerga essa nova geração de artistas e o futuro do gênero?

Aninha Barros — “Vejo esse momento com muita alegria. É importante que novos artistas tragam suas ideias, suas influências e alcancem novos públicos. O samba é um patrimônio da nossa cultura e tem espaço para tradição e inovação caminharem juntas. O mais importante é manter a essência, o respeito às raízes e à história do gênero.”

Qual é a importância da cultura e das rodas de samba para manter viva a tradição do gênero?

Aninha Barros — “As rodas de samba são verdadeiras escolas. É onde a música é compartilhada, onde as histórias são contadas e onde as novas gerações aprendem com quem veio antes. Elas mantêm viva a essência do samba e fortalecem nossa identidade cultural. Precisamos preservar e valorizar esses espaços.”

“As rodas de samba são verdadeiras escolas. É onde a música é compartilhada, onde as histórias são contadas e onde as novas gerações aprendem com quem veio antes.”
Aninha Barros

Trinta anos de palco

O que o público pode esperar dos seus próximos projetos e apresentações?

Aninha Barros — “Estou vivendo um momento muito especial da minha carreira. Neste ano celebro meus 30 anos de trajetória com um show que conta minha história através da música, reunindo canções que marcaram minha vida e emocionaram o público ao longo desses anos. Além disso, continuo preparando novos projetos, apresentações e repertórios que valorizam a música brasileira e o samba com muito carinho.”

Existe alguma apresentação ou momento da sua carreira que marcou sua vida de forma especial?

Aninha Barros — “São muitos momentos inesquecíveis. Cada palco tem uma história, mas celebrar 30 anos de carreira é, sem dúvida, um dos mais emocionantes. Olhar para trás e perceber quantas pessoas fizeram parte dessa caminhada é um sentimento de gratidão enorme.”

Como é a emoção de representar Piracicaba em shows e eventos dentro e fora da cidade?

Aninha Barros — “É uma responsabilidade muito bonita. Sempre digo que levo Piracicaba no coração. Cada vez que subo ao palco em outra cidade, sinto orgulho de representar minha terra e mostrar o talento que existe aqui. É uma alegria enorme ouvir as pessoas associarem meu trabalho à cidade onde construí minha carreira.”

Aninha Barros canta diante de um microfone em foto de divulgação
A cantora prepara um espetáculo que revisita canções de seus 30 anos de carreira. Foto: Divulgação

Mulheres ocupam mais espaços, mas a igualdade ainda não chegou

Você acredita que as mulheres conquistaram mais espaço no samba? O que ainda precisa mudar?

Aninha Barros — “Sem dúvida avançamos muito. Hoje vemos cada vez mais mulheres ocupando espaços importantes como intérpretes, compositoras, instrumentistas e produtoras. Mas ainda existe um caminho pela frente. Precisamos de mais oportunidades, igualdade de reconhecimento e valorização do trabalho feminino dentro da música.”

“Precisamos de mais oportunidades, igualdade de reconhecimento e valorização do trabalho feminino dentro da música.”
Aninha Barros

Repertório, aprendizado e os próximos encontros

Como funciona seu processo de escolha do repertório? Você prefere clássicos do samba ou também aposta em composições autorais?

Aninha Barros — “Gosto de montar um repertório que conte uma história e desperte emoções. Os clássicos do samba sempre estarão presentes porque fazem parte da nossa memória afetiva, mas também gosto de incluir músicas da MPB, releituras e abrir espaço para novidades. O mais importante é que cada canção tenha significado e converse com o público.”

Que conselho você daria para jovens artistas que sonham em seguir carreira na música, especialmente no samba?

Aninha Barros — “Acreditem no sonho de vocês, estudem, respeitem a música e nunca parem de aprender. A carreira artística exige dedicação, disciplina e muita perseverança. Nem sempre os resultados vêm rapidamente, mas quem trabalha com amor, humildade e constância constrói uma trajetória sólida.”

Para encerrar, deixe um convite ao público para acompanhar seu trabalho e prestigiar seus próximos shows.

Aninha Barros — “Quero convidar todo mundo para acompanhar meu trabalho pelas redes sociais e, principalmente, viver a emoção de um show ao vivo. A música tem o poder de unir pessoas e criar momentos inesquecíveis. Será uma alegria receber vocês nos próximos eventos e celebrar juntos o samba, a música brasileira e esses 30 anos de carreira. Espero vocês!”

As três décadas que Aninha Barros celebra não aparecem na conversa apenas como contagem de tempo. Elas ligam três papéis: a artista que começou em festivais, a cantora que construiu público em Piracicaba e a mulher que precisou disputar reconhecimento em um gênero ainda marcado por desigualdades.

A resposta mais reveladora talvez esteja nas rodas de samba, que ela chama de “verdadeiras escolas”. É ali que sua defesa da tradição deixa de ser nostalgia: preservar as raízes, para Aninha, também significa criar espaço para quem chega. O repertório que mistura clássicos, MPB, releituras e novidades segue a mesma lógica.

O show de 30 anos funciona, assim, como retrospectiva e passagem. Celebra a carreira iniciada em 1996, mas aponta para a continuidade que a própria cantora reivindica — mais projetos, mais palco e mais mulheres reconhecidas como intérpretes, compositoras, instrumentistas e produtoras.

Fonte: Piranot – Link original da matéria

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