A prévia da inflação oficial do país desacelerou em julho de 2026, puxada pela queda nos preços dos alimentos, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado aumentou a expectativa do mercado financeiro por um corte na taxa básica de juros, a Selic, na reunião seguinte do Banco Central do Brasil.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), apurado pelo IBGE, desacelerou para 0,06% em julho de 2026, após alta de 0,41% em junho de 2026. O indicador registrou a menor variação para julho desde 2023, segundo o IBGE.
O movimento foi impulsionado pela maior deflação de alimentos em quase dois anos e contrasta com o cenário recente de juros restritivos, mantidos pelo Banco Central para conter as pressões inflacionárias.
A desaceleração da inflação ocorre em um momento de acomodação da atividade econômica nacional. Em maio de 2026, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou alta de 0,1%, segundo o Banco Central, sinalizando ritmo de crescimento gradual.
Em junho de 2026, o Banco Central elevou para 5,2% sua projeção de inflação e indicou que o risco fiscal e as expectativas de preços mais altas limitavam o espaço para cortes da Selic. A surpresa baixista de julho de 2026 funciona como contraponto a esse quadro, embora um único resultado não determine a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom).
Mercado vê mais espaço para juros menores
O Boletim Focus de 20 de julho de 2026 indicou que a taxa Selic terminaria 2026 em 14,00% ao ano, segundo o Banco Central. A projeção havia sido mantida por cinco semanas consecutivas.
O novo dado de inflação fortalece a expectativa predominante de uma redução de 0,25 ponto percentual na reunião seguinte do Copom.
O governo federal também revisou suas estimativas macroeconômicas. A Grade de Parâmetros Macroeconômicos divulgada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento em 24 de julho de 2026 reduziu a projeção para a taxa Selic média de 2026 de 14,16% para 13,96% ao ano, segundo a pasta.
O Ministério do Planejamento e Orçamento manteve a estimativa para o câmbio médio em R$ 5,16 e revisou a projeção para o preço do barril de petróleo de US$ 91,25 para US$ 79,16 na Grade de Parâmetros Macroeconômicos de 24 de julho de 2026.
Alívio nos alimentos ainda não garante corte da Selic
A desaceleração do IPCA-15 reduz a pressão sobre o orçamento das famílias, principalmente pelo recuo no grupo de alimentação e bebidas. O efeito sobre a Selic, porém, depende também do comportamento dos núcleos de inflação, dos preços de serviços e das demais medidas usadas pelo Banco Central para avaliar a persistência dos aumentos.
No IPCA-15 de julho de 2026, o grupo alimentação e bebidas caiu 0,66%, segundo o IBGE, e exerceu o principal impacto de baixa sobre o índice. A alimentação no domicílio recuou, segundo o IBGE, com queda de itens como tomate, batata-inglesa e café moído.
As decisões do Copom influenciam o custo do crédito e o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional em 2026. Embora a queda nos alimentos alivie os índices gerais de preços, o comitê também considera a política fiscal e o cenário internacional antes de iniciar uma flexibilização monetária.
Próxima reunião concentra expectativa de corte
Na reunião seguinte à divulgação do IPCA-15 de julho de 2026, o Copom decidirá se a desaceleração da inflação e o ritmo mais moderado da atividade permitem iniciar a redução dos juros. A expectativa predominante é de um corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a taxa básica para 14% ao ano, mas a decisão dependerá da avaliação do conjunto dos indicadores econômicos.



Deixe uma Resposta