Maior recebedor com R$ 1,6 milhão em fundo partidário, Barjas ‘doa’ apenas mil reais para sua própria campanha; Nancy Thame investe R$ 47,9 mil

Depois de revelar quanto os partidos destinaram às campanhas ligadas a Piracicaba, o PIRANOT fecha esta série de levantamentos olhando para o outro lado das prestações de contas: quanto os próprios candidatos colocaram nas suas campanhas.

O contraste aparece já entre algumas das maiores arrecadações do recorte local. Barjas Negri (PSD), candidato a deputado federal, declarou R$ 1,676 milhão em receitas, sendo R$ 1,6 milhão provenientes do PSD. Do próprio bolso, entretanto, registrou R$ 1 mil em recursos próprios.

Nancy Thame (PV), que declarou aproximadamente R$ 1,303 milhão em receitas, informou R$ 47.903,98 em recursos próprios.

Na disputa estadual, Alex Madureira (PL) declarou R$ 13 mil em recursos próprios, enquanto a Delegada Olívia Fonseca (MDB) informou R$ 10 mil.

Os valores constam nas prestações de contas das Eleições 2026 disponibilizadas pela Justiça Eleitoral e representam uma fotografia parcial da campanha. Novos aportes ou retificações ainda podem alterar os números.

Barjas colocou R$ 1 mil em uma campanha de R$ 1,676 milhão

A campanha de Barjas Negri apresenta uma das maiores estruturas financeiras entre as candidaturas a deputado federal relacionadas a Piracicaba analisadas pelo PIRANOT.

Até a data de corte, a candidatura havia declarado R$ 1.676.000 em receitas.

  • R$ 1.600.000 — recursos de partido político;
  • R$ 75.000 — recursos de pessoas físicas;
  • R$ 1.000 — recursos próprios do candidato.

Assim, o dinheiro colocado pelo próprio Barjas representa aproximadamente 0,06% de toda a receita declarada pela campanha.

O dado é apenas uma classificação contábil da origem dos recursos. Não significa irregularidade e não permite concluir grau de envolvimento, comprometimento ou força eleitoral do candidato.

Nancy declarou quase R$ 48 mil do próprio bolso

Entre os valores de recursos próprios identificados neste levantamento, chama atenção o registrado por Nancy Thame (PV).

A candidata a deputada federal declarou quatro lançamentos classificados como recursos próprios, que somam R$ 47.903,98.

Os registros incluem aportes financeiros e recurso estimável em dinheiro.

Considerando a arrecadação total de aproximadamente R$ 1,303 milhão, os recursos próprios representam cerca de 3,7% de toda a receita declarada.

A maior parte da campanha, entretanto, continua sendo financiada pelo PV, que destinou R$ 1,25 milhão por meio da direção nacional.

Rai de Almeida declarou R$ 3 mil

Na disputa para deputado federal, a vereadora Rai de Almeida (PT) declarou R$ 3 mil em recursos próprios.

Sua campanha soma aproximadamente R$ 398,6 mil em receitas, com forte predominância de recursos partidários.

Os R$ 3 mil próprios representam menos de 1% da arrecadação registrada até a fotografia consultada.

Alex colocou R$ 13 mil na campanha estadual

Entre os candidatos a deputado estadual, Alex Madureira (PL) declarou R$ 13 mil em recursos próprios.

A campanha já soma aproximadamente R$ 1,263 milhão em receitas, das quais cerca de R$ 965,2 mil estão classificadas como recursos de partido político e R$ 285,2 mil vieram de pessoas físicas.

O dinheiro próprio de Alex corresponde a aproximadamente 1% da arrecadação total.

Olívia colocou R$ 10 mil

A Delegada Olívia Fonseca (MDB) declarou R$ 10 mil em recursos próprios.

Sua campanha soma R$ 268.755, dos quais R$ 250 mil vieram do MDB.

Os recursos próprios correspondem a aproximadamente 3,7% da arrecadação declarada.

Josef Borges declarou campanha financiada pelo próprio candidato

O caso de Josef Borges (PP) apresenta uma composição diferente das campanhas milionárias.

Na fotografia consultada, a candidatura a deputado estadual havia declarado R$ 10 mil em receitas, e os R$ 10 mil estavam classificados como recursos próprios.

Isso significa que, naquele momento, a receita registrada da campanha era integralmente formada pelo dinheiro colocado pelo próprio candidato.

André Bandeira declarou R$ 5 mil

O vereador André Bandeira (PSDB), candidato a deputado estadual, declarou R$ 5 mil em recursos próprios.

Sua campanha apresentava R$ 28,3 mil em receitas, incluindo R$ 20 mil provenientes do PSDB e R$ 3,3 mil de pessoa física.

Os recursos próprios representavam aproximadamente 17,7% da arrecadação total.

Renan Paes declarou R$ 4,5 mil

O vereador Renan Paes (PL) declarou R$ 4,5 mil em recursos próprios.

Na atualização consultada, a campanha havia registrado pouco mais de R$ 205 mil em receitas provenientes de diferentes fontes, incluindo partido político, outras candidaturas, pessoas físicas e o próprio candidato.

Camolesi colocou R$ 3,7 mil

Paulo Camolesi (PSB) declarou R$ 3.700 em recursos próprios na fotografia financeira mais recente localizada.

A candidatura apresentava R$ 13.778,43 em receitas, das quais aproximadamente R$ 10,1 mil eram recursos partidários.

Nesse caso, embora o valor absoluto seja pequeno quando comparado às campanhas maiores, o dinheiro próprio representava aproximadamente 26,9% de toda a arrecadação.

Claudia Bueno declarou R$ 91,50 próprios

Entre os valores já registrados na Justiça Eleitoral aparece também a candidatura de Claudia Bueno (Missão).

Ela declarou R$ 91,50 em recursos próprios, dentro de uma arrecadação total de R$ 8.594,28.

A maior parte de sua receita veio do partido e de financiamento coletivo.

Quanto os candidatos podem colocar do próprio bolso?

A legislação eleitoral permite que candidatos utilizem recursos próprios para financiar suas campanhas, mas estabelece um limite.

O candidato pode aplicar recursos próprios até o equivalente a 10% do limite de gastos correspondente ao cargo disputado.

Em São Paulo, o teto de gastos de 2026 é de R$ 3.176.572,53 para deputado federal e R$ 1.270.629,01 para deputado estadual.

Isso significa que, em regra, uma candidatura a deputado federal pode utilizar até aproximadamente R$ 317,7 mil em recursos próprios, enquanto uma candidatura estadual tem limite de aproximadamente R$ 127,1 mil.

Colocar R$ 0 também é permitido

O candidato não é obrigado a colocar dinheiro pessoal na própria campanha.

Uma candidatura pode ser financiada integralmente por recursos partidários, Fundo Especial de Financiamento de Campanha, Fundo Partidário, doações de pessoas físicas, financiamento coletivo e outras fontes permitidas pela legislação.

Por isso, quando uma prestação apresenta R$ 0 em recursos próprios, isso significa somente que, até aquela fotografia dos dados, não havia receita registrada nessa categoria.

O valor não deve ser usado para medir comprometimento do candidato, força eleitoral ou expectativa de resultado.

Valor absoluto e peso na campanha contam histórias diferentes

Os dados também mostram por que o valor nominal, sozinho, não explica a composição financeira de uma campanha.

Nancy, por exemplo, declarou quase R$ 48 mil do próprio bolso, mas esse montante representa aproximadamente 3,7% de uma campanha superior a R$ 1,3 milhão.

Camolesi declarou apenas R$ 3,7 mil, mas esse dinheiro correspondia a cerca de 27% de toda a sua arrecadação.

Já Josef Borges apresentava, na fotografia consultada, uma campanha inteiramente sustentada pelos R$ 10 mil colocados pelo próprio candidato.

O PIRANOT apresenta essas proporções apenas para mostrar a composição das receitas eleitorais, sem atribuir qualquer avaliação política aos valores.

Série mostrou de onde vêm milhões destinados às eleições de Piracicaba

Esta reportagem encerra uma série de levantamentos do PIRANOT sobre o financiamento das candidaturas ligadas a Piracicaba nas eleições de 2026.

O primeiro levantamento mostrou o volume total das campanhas e revelou que Barjas Negri declarou R$ 1,676 milhão na disputa federal e Alex Madureira R$ 1,263 milhão para deputado estadual.

Na sequência, o PIRANOT detalhou a candidatura de Nancy Thame, que recebeu R$ 1,25 milhão da Direção Nacional do PV e já soma aproximadamente R$ 1,3 milhão em receitas.

Outro levantamento mostrou que as candidaturas analisadas somam aproximadamente R$ 8,48 milhões em receitas e que quase R$ 7,62 milhões aparecem como repasses diretos de partidos políticos.

Agora, o levantamento mostra quanto desse dinheiro partiu dos próprios candidatos.

Fonte oficial e atualização dos números

A fonte primária da série é o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por meio do sistema DivulgaCandContas e dos arquivos de Dados Abertos de Prestação de Contas Eleitorais de 2026, gerados pelo Sistema de Prestação de Contas Eleitorais (SPCE).

As prestações ainda são parciais. Candidatos podem receber novos recursos, registrar novos aportes próprios e retificar informações já apresentadas à Justiça Eleitoral.

Por isso, todos os valores devem ser entendidos como uma fotografia da campanha até a data de corte.

Data de corte: 18 de setembro de 2026.

Fonte primária: Tribunal Superior Eleitoral — DivulgaCandContas e Dados Abertos das Eleições 2026.

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Sobre o colunista

Júnior Cardoso

Diretor, editor chefe e jornalista do PIRANOT. Começou a trabalhar em 2007, aos 14 anos, quando lançou seu primeiro blog na internet. Em 2011, criou o PIRANOT e fez parte, por três anos, de um programa da extinta TV Beira Rio. Estudou jornalismo na UNIMEP e assessoria de imprensa no SENAC. Fez estágio na Câmara de Vereadores e teve passagens por duas rádios de Piracicaba.

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Fonte: Piranot – Link original da matéria

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