A Microsoft reconheceu, em 29 de abril de 2026, que seguirá com capacidade computacional restrita pelo menos até o fim de 2026, enquanto uma estimativa aponta possível diferença de 4,2 milhões de chips em sua infraestrutura global.
O cálculo contrapõe 2,2 milhões de chips de inteligência artificial atribuídos a um documento interno não publicado a até 6,4 milhões de unidades sugeridas pela capacidade elétrica anunciada. A diferença equivale a aproximadamente 2,9 vezes o inventário descrito, mas não comprova quantos processadores avançados estão efetivamente instalados: o resultado depende da parcela de energia destinada à tecnologia da informação, do tipo de equipamento e da configuração dos servidores.
A Microsoft contesta essas premissas, embora confirme o limite operacional. Em sua conferência de resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026, a companhia informou que permanecerá restringida pelo menos até o fim do ano, apesar dos investimentos para colocar novas unidades de processamento gráfico, processadores centrais e armazenamento em operação. Para clientes do Azure, inclusive no Brasil, isso representa risco de alocação global mais apertada, não uma indisponibilidade já demonstrada. Não há dado público que comprove falta regional de GPUs, atraso de produtos ou impacto em contratos brasileiros.
Cálculo elétrico projeta até 6,4 milhões de GPUs
O cenário superior parte de uma capacidade total de 10 gigawatts e reserva 80% dessa energia para sistemas de tecnologia da informação. Considerando servidores com oito GPUs Nvidia H100 e consumo máximo próximo de 10 quilowatts, os 8 gigawatts disponíveis sustentariam cerca de 800 mil servidores, ou 6,4 milhões de GPUs. Cada H100 pode consumir até 700 watts, mas refrigeração, armazenamento, redes, redundância e equipamentos diferentes reduzem a precisão de uma conversão direta entre eletricidade e chips.
O parâmetro de 80% também não coincide com o indicador divulgado pela própria Microsoft em 2024 para seus novos centros de dados: 89% da energia seria destinada aos sistemas de tecnologia da informação e 11% ao funcionamento auxiliar. Ainda assim, eficiência elétrica não revela quais chips estão instalados, quando entraram em operação nem quanto da infraestrutura atende cargas de inteligência artificial. Tanto os 2,2 milhões do documento não publicado quanto os 6,4 milhões do cálculo permanecem sem confirmação por um inventário oficial comparável.
Expansão bilionária ainda não elimina a restrição
Em 29 de outubro de 2025, a Microsoft afirmou, na conferência do primeiro trimestre fiscal de 2026, que elevaria sua capacidade total de inteligência artificial em mais de 80% naquele ano e praticamente duplicaria a área global de centros de dados em dois anos. A companhia já reconhecia, naquela data, que a oferta disponível não atendia integralmente à demanda do Azure.
No terceiro trimestre fiscal de 2026, o investimento de capital chegou a US$ 31,9 bilhões. Aproximadamente dois terços foram destinados a ativos de duração mais curta, sobretudo GPUs e processadores centrais. Em abril de 2026, a companhia também projetou aproximadamente US$ 190 bilhões em despesas de capital no ano-calendário, incluindo cerca de US$ 25 bilhões associados à alta nos preços de componentes. A expansão incluiu 1 gigawatt adicional no trimestre, mas a administração manteve o prazo de restrição até pelo menos dezembro de 2026.
A diferença de 4,2 milhões não permite concluir se há escassez física de chips, configurações distintas ou limitações no cálculo elétrico. A própria Microsoft afirma que o gargalo envolve a transformação de componentes, energia, armazenamento e centros de dados em capacidade pronta para gerar receita.
Em 22 de junho de 2026, o PIRANOT registrou o contrato de 20 anos firmado para abastecer centros de dados da Microsoft no Texas. O acordo reforça o papel da energia na expansão, enquanto a demanda superior à oferta obriga a companhia a dividir a capacidade disponível entre Azure, aplicações próprias, pesquisa e substituição de servidores.



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