Operação Frank Mobile mira rede de roubo e revenda de celulares em SP – PIRANOT

A Operação Frank Mobile mobiliza, na quinta-feira (10), sete mandados de prisão e quase 90 buscas contra suspeitos de integrar uma cadeia de furto, roubo, receptação, adulteração e revenda de celulares em São Paulo e outros locais do país.

Deflagrada pelo Ministério Público e pelas polícias Civil e Militar de São Paulo, a ação investiga o caminho dos aparelhos depois da subtração. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a rede teria quatro etapas: retirada dos celulares das vítimas, receptação, desbloqueio ou adulteração e posterior comercialização de aparelhos ou peças.

Na hipótese investigativa, o celular pode circular entre diferentes envolvidos antes de retornar ao mercado com aparência de regularidade. Parte dos aparelhos seria encaminhada a especialistas conhecidos como “icloudeiros”, suspeitos de tentar desbloquear dispositivos, redefinir senhas e acessar contas vinculadas.

Investigação cita fraude financeira e adulteração de aparelhos

O acesso ao celular pode expor aplicativos bancários, mensagens, documentos e credenciais pessoais. A investigação aponta que, quando conseguem entrar nos dispositivos — especialmente em casos em que vítimas são obrigadas a fornecer senhas durante roubos — os suspeitos podem tentar realizar transferências via PIX, contratar empréstimos e usar outros serviços financeiros.

Outra frente sob investigação envolve laboratórios clandestinos em áreas de comércio de eletrônicos, como o Shopping Mundo Oriental e a região da Rua Santa Ifigênia. Técnicos seriam responsáveis por alterações físicas e em softwares, incluindo a substituição de placas-mãe, carcaças e telas, para modificar identificadores como o IMEI e dificultar o rastreamento.

A etapa final, conforme a investigação, incluiria a venda de celulares adulterados ou de componentes desmontados. Empresas aparentemente regulares também são suspeitas de emitir notas fiscais e outros documentos para dar aparência de legalidade a produtos de origem ilícita.

Dados de 2025 mostram dimensão dos furtos e roubos

Em 2025, o inquérito citado na investigação registrou 154.058 celulares roubados ou furtados na cidade de São Paulo, média de 17 por hora. O mesmo relato aponta que cerca de 10 mil aparelhos foram devolvidos aos proprietários naquele ano.

No recorte nacional de 2025, o documento cita 95 roubos e furtos de celulares por hora. Para os investigadores, a escala dos casos ajuda a explicar por que a rentabilidade do crime depende da rede que recebe, desbloqueia, adultera ou tenta recolocar aparelhos e componentes em circulação.

Rua Guaianases é um dos focos da investigação

A Rua Guaianases, no Centro de São Paulo, aparece como um dos principais pontos de concentração e redistribuição de celulares subtraídos. Pesquisas em sistemas policiais encontraram mais de 500 registros de ocorrências envolvendo aparelhos em pouco mais de dois anos na região, segundo os investigadores.

Rastreamentos feitos por vítimas também indicaram sinais de localização em endereços das ruas Guaianases, Aurora e Timbiras. A investigação sustenta que a área pode funcionar como polo de armazenamento, triagem, desbloqueio, desmontagem e distribuição dos aparelhos.

Bloqueio rápido ajuda a restringir acessos após o crime

Para quem teve o celular roubado, furtado ou perdido, o Celular Seguro BR, serviço oficial do governo federal, permite registrar a ocorrência e emitir alertas para bloquear rapidamente o acesso a contas e linhas vinculadas.

A comunicação rápida às instituições financeiras e à operadora é uma medida prática para restringir acessos indevidos. O serviço está disponível em gov.br e pode ser usado com as informações disponíveis sobre o aparelho e seus vínculos.

Os mandados e a investigação não equivalem a condenação. A responsabilização individual dos alvos dependerá da análise das provas, do contraditório e das decisões judiciais, enquanto o bloqueio imediato do aparelho e das contas vinculadas permanece a principal providência para reduzir os danos às vítimas.


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Fonte: Piranot – Link original da matéria

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