Pesquisadores reencontraram, em agosto de 2026, duas plantas raras em áreas protegidas mantidas pela Vale no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais. Registros científicos recentes, porém, impedem afirmar quanto tempo cada espécie ficou sem observação.
O projeto identificou Paepalanthus magalhaesii e Coracoralina amoena em áreas de Itabirito, Rio Acima e Ouro Preto. As duas pertencem ao grupo popularmente chamado de sempre-vivas ou chuveirinhos. O resultado amplia o conhecimento sobre plantas adaptadas aos campos rupestres sobre canga, onde solos ricos em ferro, pouca água, alta insolação e variações de temperatura restringem a sobrevivência de muitas espécies.
A expressão “redescoberta”, contudo, não equivale à comprovação de que as plantas tenham permanecido três décadas sem registros ou desaparecido da natureza. Também não altera automaticamente uma eventual categoria formal de ameaça, que depende de informações sobre abundância, tendência populacional, extensão de ocorrência e área ocupada.
Registros de 2012, 2021 e 2026 delimitam a redescoberta
Em 2012, material identificado como Paepalanthus gomesii foi coletado na região de Palmital. Em 2021, uma dissertação contabilizou 12 registros desse nome em Minas Gerais. Já em abril de 2026, uma revisão taxonômica depositada no repositório da Universidade Federal de Minas Gerais propôs P. magalhaesii como o nome aceito para P. gomesii.
Essa equivalência taxonômica altera a leitura do histórico: registros publicados sob o nome P. gomesii precisam ser considerados antes de calcular um período sem observações de P. magalhaesii. No projeto anunciado em agosto de 2026, a planta foi localizada em quatro áreas — Capanema, Capivari I, Capivari II e Cata Branca — distribuídas pelos três municípios mineiros citados.
A localização específica de Coracoralina amoena não foi divulgada. A espécie vive entre rochas, em solo fino, sob insolação intensa e com baixa disponibilidade de água. Em junho de 2026, antes do anúncio do reencontro, um estudo sobre a composição florística da Serra do Pires incluiu a planta na relação da flora vascular local. O registro não elimina a importância das novas observações, mas impede apresentar como comprovado um intervalo de décadas sem documentação.
Amostras seguem para sequenciamento e estudos de propagação
As amostras seguirão para o laboratório da Rede Propagar, onde a equipe prevê realizar sequenciamento genético e desenvolver métodos de propagação e produção de mudas. Parte dos exemplares também deverá integrar uma coleção de referência, destinada à conservação fora do ambiente natural e a pesquisas futuras. Não foi divulgado prazo para conclusão dessas etapas.
O projeto informa que mais de 30% das espécies do Quadrilátero Ferrífero seriam exclusivas da região. No conjunto analisado no estudo da Serra do Pires, 26 espécies constavam como ameaçadas em nível nacional, enquanto 73% da flora registrada ainda não havia passado por avaliação formal — diferença relevante entre raridade, ausência de coleta e risco reconhecido oficialmente.
A Vale mantém as áreas protegidas e participa do projeto por meio de uma especialista própria. A etapa conduzida pela Rede Propagar deverá verificar características genéticas das amostras e criar técnicas para multiplicar as plantas, formar uma coleção de referência e preparar uma eventual reintrodução na natureza.



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