Documentos analisados pela Polícia Federal vinculam o filme Dark Horse a um plano de negócios que projeta receitas entre US$ 45 milhões e US$ 100 milhões no Brasil. As informações vieram a público após o levantamento do sigilo de inquéritos relacionados ao Banco Master.
O cenário mais otimista prevê US$ 100 milhões de bilheteria; os cenários intermediário e pessimista estimam, respectivamente, US$ 70 milhões e US$ 45 milhões. As cifras são projeções comerciais, não resultado de arrecadação realizado ou garantido.
Nas referências cambiais adotadas nas informações divulgadas, as três projeções equivaleriam a cerca de R$ 230 milhões, R$ 356 milhões e R$ 509 milhões. O plano é citado como “Plano de Negócio Capitão do Povo V5”.
Contrato previa US$ 24 milhões em 14 parcelas
Os documentos também descrevem um contrato de US$ 24 milhões, dividido em 14 parcelas, entre o financiador citado e a Go Up Entertainment. A investigação apura suspeitas de corrupção, evasão de divisas e lavagem de dinheiro no financiamento da produção audiovisual.
Investigadores localizaram sete pagamentos que somam mais de US$ 12 milhões entre fevereiro e setembro de 2025. À época, o valor correspondia a quase R$ 70 milhões.
Há ainda referência a US$ 12,3 milhões, estimados em cerca de R$ 63 milhões, como montante efetivamente pago. A diferença entre os valores foi relatada nas informações divulgadas sobre os documentos examinados pela PF.
Defesas contestam irregularidades no financiamento
Flávio Bolsonaro afirmou não haver irregularidade no financiamento, que classificou como uma relação privada sem uso de recursos públicos. A defesa de Karina Gama declarou que a produtora colaborou com as autoridades, apresentou os documentos da Go Up brasileira e não tem acesso às informações da empresa nos Estados Unidos.
O filme retrata Jair Bolsonaro e usa como elemento narrativo o atentado sofrido por ele em setembro de 2018, em Juiz de Fora (MG). O episódio é contexto histórico e não altera o objeto atual da investigação, concentrado no financiamento da produção audiovisual.
Projeções e repasses integram investigação sobre o financiamento
As informações sobre o plano de bilheteria, o contrato e os repasses integram os inquéritos ligados ao Banco Master que tiveram o sigilo levantado em 11 de setembro de 2026. A investigação não equivale a denúncia, indiciamento, condenação ou prova de responsabilidade individual.
Os dados separam duas frentes do caso: a expectativa comercial registrada para o filme e os pagamentos que a Polícia Federal atribui ao financiamento da produção.
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