Adriano Melo dos Santos, de 43 anos, morreu durante uma ação da Polícia Militar do Paraná na madrugada desta sexta-feira (4), no bairro Pilarzinho, em Curitiba. A PM afirma que ele avançou contra os agentes com um machado; a família contesta essa versão e acusa os policiais de execução.
A ocorrência de 4 de setembro de 2026 foi registrada no cruzamento das ruas Álvaro Moleta e Campo Largo da Piedade. Adriano foi atingido pelos disparos e morreu no local.
PM afirma que Adriano avançou com um machado
Uma nota atribuída à PMPR afirma que a equipe foi chamada por causa de um homem com machado que ameaçava pessoas na rua. A corporação diz que Adriano desobedeceu às ordens e que os policiais tentaram inicialmente contê-lo com uma arma não letal.
Segundo a versão policial, o apoio do Batalhão de Operações Policiais Especiais foi solicitado, mas não houve tempo para isolar a área antes do alegado avanço contra as equipes. A PM sustenta que os agentes atiraram para neutralizar uma ameaça letal.
Família diz que pediu atendimento para uma crise
Em relatos divulgados, o irmão de Adriano afirmou que a família acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) porque ele estaria em surto psicótico. Segundo o familiar, o Samu orientou que uma equipe da polícia ou da Guarda Municipal fosse chamada para apoiar o atendimento.
O irmão também disse que tentou acalmar Adriano durante a abordagem e rejeitou o relato de que ele teria avançado contra os policiais. O filho classificou a morte como execução, acusação familiar que não foi comprovada. A cronologia entre o chamado ao Samu, a chegada das equipes, a tentativa de contenção e os disparos não foi detalhada.
Vídeo registra tiros, mas não mostra a dinâmica da abordagem
Um vídeo gravado a distância registra sirenes, gritos e uma sequência na qual mais de 15 disparos podem ser ouvidos. Essa contagem não foi confirmada por perícia.
As imagens descritas não mostram Adriano, o machado, a distância até os agentes nem o movimento apontado pela PMPR. A gravação, portanto, não permite determinar se a ameaça narrada pela corporação exigia o uso de força letal.
Perícia deve confrontar as duas versões
A Polícia Científica do Paraná foi acionada para realizar a perícia, enquanto a Polícia Civil do Paraná investiga as circunstâncias da morte. O número do procedimento e os laudos periciais e balísticos ainda não foram divulgados.
A investigação deverá estabelecer a posição de Adriano e dos policiais, a trajetória dos disparos e a autoria individual dos tiros. Até uma conclusão oficial, execução permanece como alegação da família, sem responsabilização criminal estabelecida contra os agentes.
O velório de Adriano ocorre na Capela do Cemitério Paroquial São Marcos, em Curitiba. O sepultamento está marcado para sábado (5).
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