Uma comparação nacional divulgada na sexta-feira (4) reúne propostas para o agronegócio atribuídas a Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Os programas tratam de crédito, seguro rural, infraestrutura, fertilizantes, ambiente e segurança no campo, mas seguem caminhos distintos para alcançar esses objetivos.
O “Plano Implacável: propostas concretas para os maiores problemas do país”, atribuído a Zema, reserva quatro páginas ao agronegócio e distribui o tema em quatro eixos: produtividade, renda, ambiente e propriedade rural. O “Plano de Governo Ronaldo Caiado Presidente” dedica três páginas ao setor e reúne 12 propostas para o período de 2027 a 2030.
Os PDFs divulgados estão hospedados fora do domínio do Tribunal Superior Eleitoral, e a correspondência dessas cópias com eventuais versões protocoladas na Justiça Eleitoral não foi confirmada. Nenhum dos dois documentos quantifica o custo das medidas ou apresenta uma fonte orçamentária detalhada.
Zema concentra programa em produtividade, renda, ambiente e propriedade
Na produtividade, o programa atribuído a Zema propõe facilitar a produção nacional e a importação de fertilizantes e defensivos, reduzir entraves a projetos minerais, ampliar a participação de capital privado e internacional em pesquisa e expandir a conectividade rural. Para a logística, prevê parcerias privadas em rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e armazenagem.
Na proteção da renda, Zema propõe um fundo com recursos públicos e privados para cobrir perdas causadas por eventos climáticos, pragas e oscilações de mercado. O texto também defende ampliar barragens e sistemas de irrigação, mas não informa capitalização, governança, custo fiscal ou regras de cobertura do fundo.
Na agenda ambiental, o documento propõe diferenciar as exigências do licenciamento conforme o impacto das atividades e simplificar procedimentos de baixo risco. No eixo da propriedade rural, defende ampliar o porte de armas em propriedades rurais, acelerar a regularização fundiária e combater grilagem e crime organizado com sensoriamento remoto.
Caiado combina planejamento plurianual, seguro rural e bioenergia
O programa atribuído a Caiado organiza 12 propostas entre 2027 e 2030. O texto prevê estratégias de dez anos para proteínas, grãos, biocombustíveis e bioinsumos, além de um Plano Decenal de Bioenergia para integrar etanol, biodiesel, biometano e bioeletricidade.
Na área financeira, Caiado propõe um Plano Safra com horizonte de cinco anos, um fundo garantidor, maior participação do mercado de capitais e um sistema nacional público-privado de seguro rural. O documento cita seguros paramétricos, resseguro para eventos climáticos extremos e reestruturação do Fundo de Catástrofe, sem apresentar o desenho financeiro ou o impacto orçamentário.
Para a infraestrutura, o programa estabelece planejamento logístico de dez anos e cita Ferrogrão, Norte-Sul, Fiol, Malha Norte, BR-163 e hidrovias do Centro-Oeste e Norte. Não individualiza, porém, a etapa, o licenciamento, a fonte de recursos ou o cronograma de cada projeto.
Caiado também propõe executar o Plano Nacional de Fertilizantes, ampliar a produção de potássio e nitrogenados e diversificar fornecedores. Na agenda ambiental, defende concluir a validação do Cadastro Ambiental Rural, criar um sistema nacional de rastreabilidade, o Selo Brasil Sustentável e uma certificação brasileira de créditos de carbono.
Promessas não trazem custos nem instrumentos completos de execução
Os prazos de cinco e dez anos apresentados no programa atribuído a Caiado não substituem a definição de custo, fonte de recursos, órgão executor e indicador de resultado. No texto atribuído a Zema, as quatro páginas destinadas ao setor também não incluem memória de cálculo ou fonte orçamentária quantificada.
Romeu Zema e Ronaldo Caiado não responderam aos pedidos de esclarecimento sobre a autoria das cópias, o financiamento das propostas e as medidas que podem depender do Congresso Nacional.
Plano registrado orienta campanha, mas não obriga cumprimento
Em 1997, a Lei nº 9.504 estabeleceu normas eleitorais e vinculou o registro de candidaturas ao Executivo à apresentação das propostas defendidas. A regra não autentica, por si só, os dois PDFs divulgados em 2026 nem confirma a situação eleitoral dos políticos.
Mesmo depois do registro, um plano de governo não cria obrigação jurídica de cumprir as promessas nem prevê perda de mandato pelo descumprimento. A execução das medidas pode exigir previsão orçamentária, regulamentação, atos do Executivo e, em determinados casos, aprovação legislativa.
Na prática, o programa atribuído a Zema enfatiza abertura econômica, participação privada, redução de entraves e defesa da propriedade rural. O de Caiado aposta em planejamento plurianual, bioenergia, rastreabilidade e instrumentos financeiros mais detalhados — duas escolhas políticas diferentes para crédito, infraestrutura e regulação do agronegócio.
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