A ativista política e feminista Amelinha Teles morreu na terça-feira (15), aos 81 anos. A Rede de Desenvolvimento Humano (REDEH) publicou uma homenagem à escritora, advogada e defensora dos direitos humanos.
A morte encerra uma trajetória pública associada à defesa dos direitos humanos, dos direitos das mulheres e da preservação da memória sobre a ditadura militar. A REDEH, entidade que a chamou de companheira, publicou uma homenagem nas redes sociais após a notícia.
“Hoje perdemos nossa companheira Amelinha Teles, mas a história da luta das mulheres brasileiras perde muito mais do que uma militante: perde uma mulher que fez da coragem, da memória e da resistência uma forma de vida.”
Rede de Desenvolvimento Humano (REDEH)
A prisão em 1972 e a defesa persistente da memória
Em 28 de dezembro de 1972, Amelinha Teles foi presa e levada à Operação Bandeirantes (Oban). O episódio pertence ao contexto histórico de sua atuação e ajuda a explicar por que sua trajetória ficou vinculada aos debates sobre democracia, reparação e violações de direitos no período da ditadura.
Na década de 1970, ela participou do Jornal Brasil Mulher. Em 2006, quando a Lei Maria da Penha foi sancionada, sua contribuição posterior foi associada à efetivação da norma como advogada e formadora de Promotoras Legais Populares; isso não equivale a atribuir a ela a autoria da lei.
Amelinha também é autora dos livros Contos da Cela Três, Breve História do Feminismo no Brasil e O Que São os Direitos Humanos das Mulheres?.
Em 2026, participou de pesquisa ligada à iniciativa coordenada pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sobre responsabilidades de empresas por violações de direitos durante a ditadura. Em uma de suas falas públicas, defendeu que o passado fosse lido e compreendido antes de ser superado.
“Nós temos que enfrentar o passado, sim, porque o presente está sendo ameaçado o tempo todo com os fantasmas do passado. Não adianta, não tem que virar a página, não dá para virar a página. A página tem que ser lida e compreendida, depois é que você vira, entendeu?”
A trajetória de Amelinha recoloca no debate nacional temas aos quais esteve ligada: a memória da ditadura, a proteção dos direitos das mulheres e o fortalecimento democrático.
Informações sobre a despedida não foram divulgadas. A homenagem da REDEH registra a dimensão de sua atuação entre movimentos que defendem direitos das mulheres, memória e democracia.
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