A Confederação Brasileira de Voleibol mudou na sexta-feira (14) a elegibilidade das competições femininas nacionais e passou a exigir teste negativo para o gene SRY, regra que põe em dúvida a participação de Tifanny na próxima Superliga.
A medida alcança a Supercopa de 2026, a Superliga 2026/2027 e, em 2027, a Copa Brasil e as categorias adulta e Challenger do Circuito Brasileiro de vôlei de praia. O documento anterior da Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) admitia atletas trans mediante controle da testosterona sérica; o anúncio de sexta substitui esse parâmetro pela triagem genética.
A mudança não impede Tifanny de jogar o Campeonato Paulista já iniciado. A Federação Paulista de Volleyball informou que eventuais medidas serão analisadas pelas áreas jurídica e de saúde para as próximas competições. O Osasco São Cristóvão Saúde, clube da oposta desde 2021, declarou ter sido surpreendido, disse que não participou da elaboração da norma e encaminhou o caso ao departamento jurídico.
Controle hormonal dá lugar ao teste do gene SRY
A política anterior da CBV fixava um limite de testosterona sérica como condição de participação. A nova regra exige resultado negativo para o gene SRY nas competições femininas nacionais administradas pela confederação. A entidade afirmou que a alteração busca adequação às regras do Comitê Olímpico Internacional e da Federação Internacional de Voleibol.
Tifanny tornou-se, em dezembro de 2017, a primeira atleta trans a disputar a Superliga feminina. Em 2021, passou a defender o Osasco e integrou a equipe campeã da temporada 2024/2025. Esse histórico ajuda a dimensionar o efeito esportivo da norma: a nova exigência incide justamente sobre os principais torneios nacionais nos quais o clube e a atleta competem.
Em fevereiro de 2026, a CBV sustentou que Tifanny cumpria as regras então vigentes e obteve no Supremo Tribunal Federal uma liminar que permitiu sua participação na Copa Brasil, em Londrina. A decisão da ministra Cármen Lúcia tratava de uma restrição municipal aprovada na cidade paranaense; portanto, não decidiu sobre a política nacional anunciada em 14 de agosto.
Paulista mantém Tifanny, enquanto Osasco avalia nova regra
A Federação Paulista manteve a elegibilidade de Tifanny porque o estadual começou antes da publicação do novo critério. Neste sábado (15), o Osasco tinha estreia prevista contra o Pinheiros, às 21h30, no Ginásio José Liberatti, em Osasco. A preservação no torneio estadual não antecipa o tratamento que será dado à atleta nas competições da CBV.
Os procedimentos de testagem e eventuais contestações ainda poderão influenciar a aplicação da política. O Osasco informou que avalia a normativa com seu departamento jurídico, reafirmou apoio integral a Tifanny e definirá os próximos passos após essa análise.
O efeito já estabelecido é que o teste negativo para o gene SRY valerá na Supercopa de 2026, na Superliga 2026/2027 e, em 2027, na Copa Brasil e nas categorias adulta e Challenger do Circuito Brasileiro de vôlei de praia.



Deixe uma Resposta