Resultados divulgados na segunda-feira (7) pela Universidade Federal de Pelotas mostram que a geração acompanhada desde o nascimento chegou aos 30 anos com alta de obesidade e transtornos mentais comuns, em Pelotas, no sul gaúcho.
A prevalência de obesidade avançou de 16,2% aos 22 anos para 32,9% aos 30, acréscimo de 16,7 pontos percentuais. No mesmo intervalo, a proporção de participantes com transtornos mentais comuns passou de 22% para 38,2%, alta de 16,2 pontos. Os percentuais descrevem a população acompanhada pela pesquisa e não podem ser generalizados automaticamente para o país.
A piora dos dois indicadores coexistiu com avanços sociais: a escolaridade média aumentou de 9,8 para 10,3 anos, enquanto a parcela de participantes empregados subiu de 63% para 75,7%. Os dados, porém, não demonstram que estudo, trabalho ou outras condições sociais tenham causado as mudanças observadas na saúde.
Excesso de peso alcança dois em cada três participantes
Aos 30 anos, 66,5% dos participantes tinham excesso de peso, categoria que reúne sobrepeso e obesidade. O Ministério da Saúde adota índice de massa corporal a partir de 25 kg/m² para excesso de peso e de 30 kg/m² para obesidade, definições também utilizadas pela Organização Mundial da Saúde.
O peso não foi obtido apenas por relato dos participantes. A etapa incluiu avaliações presenciais de peso, altura e circunferência da cintura, além de exames de composição corporal por absorciometria por dupla energia (DXA) e pletismografia por deslocamento de ar (BodPod).
Essas referências ajudam a interpretar as categorias, mas não tornam a coorte diretamente comparável ao Vigitel: território, idade, desenho e forma de coleta são diferentes. Em 2022, a Organização Mundial da Saúde estimou que uma em cada oito pessoas vivia com obesidade no mundo, dado histórico de alcance global, não uma comparação estatística com o grupo de Pelotas.
Indicadores de saúde mental são mais altos entre mulheres
Entre as mulheres, a ansiedade foi informada por 28,7%, ante 14,9% dos homens, diferença de 13,8 pontos percentuais. A depressão foi relatada por 9,2% das mulheres e 3,2% dos homens, diferença de 6 pontos.
A saúde mental foi avaliada com escalas padronizadas e entrevistas presenciais conduzidas por psicólogos treinados, incluindo a entrevista M.I.N.I. Os percentuais populacionais não devem ser transformados automaticamente em diagnóstico individual.
Coorte acompanha a mesma geração desde 1993
Em 1993, a Universidade Federal de Pelotas recrutou 5.249 pessoas nascidas no município. A avaliação usada como referência aos 22 anos ocorreu por volta de 2015; entre 2023 e 2024, a etapa dos 30 anos entrevistou 3.333 participantes. O acompanhamento também identificou 242 mortes e informou retenção de 68,1%.
A diferença entre a coorte original e a soma de entrevistados e óbitos corresponde a 1.674 pessoas, ou 31,9% do grupo inicial. Os motivos e o perfil dessas perdas não foram informados, limitação relevante para dimensionar o alcance das comparações.
As diferenças sociais também aparecem entre os participantes sem trabalho: 41,4% das mulheres atribuíram a saída do mercado ao cuidado integral dos filhos, enquanto 0,9% dos homens indicaram o mesmo motivo.
Aos 30 anos, 17,7% declararam fumar e 12,8% informaram uso diário de cigarro eletrônico. Em 2015, na avaliação aos 22 anos, 18,2% apresentavam síndrome metabólica; não há percentual equivalente divulgado para os 30 anos.
O acompanhamento permite observar mudanças dentro da geração nascida em Pelotas em 1993, mas não demonstra que um fator isolado tenha causado a piora dos indicadores nem autoriza extrapolar os percentuais para Piracicaba ou para o Brasil. O retrato aos 30 anos concentra, no mesmo grupo, maior escolaridade e participação no trabalho, além de níveis mais altos de obesidade e transtornos mentais comuns.
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