O governo do Reino Unido propõe banir alimentos fritos da merenda escolar na Inglaterra e restringir itens com alto teor de açúcar. A iniciativa faz parte da atualização dos padrões de alimentação nas escolas e inclui refeições, lanches, bebidas e cafés da manhã.
Pela proposta, bebidas açucaradas e alimentos preparados por fritura seriam retirados dos cardápios. Pizza e enrolados de salsicha teriam oferta limitada, enquanto sobremesas adoçadas passariam a ser restringidas a uma vez por semana, com frutas nos demais dias.
As novas regras também preveem que pelo menos 50% das massas e do arroz sejam integrais ou de variedades escuras, que os pães sejam fonte de fibra e que cada prato principal tenha uma porção de legumes ou salada.
Fritura e ultraprocessado não são a mesma coisa
Fritura, alimento processado e ultraprocessado não são conceitos equivalentes. Uma limitação ao preparo por imersão em óleo não significa, por si só, que todos os alimentos atingidos sejam ultraprocessados, nem que produtos sem fritura atendam automaticamente a critérios nutricionais mais amplos.
Na fritura de alimentos ricos em amido, como a batata, pode ocorrer a formação de acrilamida, substância associada ao escurecimento e ao sabor característicos de produtos fritos ou assados em altas temperaturas. Em junho de 2026, a Anvisa divulgou recomendações para reduzir a exposição à substância, entre elas a preferência por batatas cozidas e o uso de temperaturas mais baixas ao fritar ou assar.
Estudos também identificaram associação estatística entre o consumo de alimentos fritos e a ocorrência de depressão, mas essa relação não demonstra causa e efeito. Hábitos alimentares, condições de saúde e outros fatores podem interferir nesse tipo de resultado.
Programa brasileiro limita ultraprocessados
No Brasil, a alimentação de estudantes das redes públicas é organizada pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). A legislação determina que os cardápios respeitem a cultura alimentar local e limitem ultraprocessados; em 2026, no máximo 10% dos alimentos servidos nas escolas públicas poderiam ser processados e ultraprocessados.
A comparação mostra que a proposta inglesa concentra-se no modo de preparo, no açúcar e na ampliação de alimentos frescos e ricos em fibras, enquanto o Pnae estabelece limites para processados e ultraprocessados. Nos dois casos, o objetivo é ampliar a presença de alimentos mais nutritivos na rotina escolar.
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