Justiça rejeita venda do AdX e impõe restrições ao Google – PIRANOT

A Justiça federal dos Estados Unidos rejeitou na quarta-feira (2), no Distrito Leste da Virgínia, a venda compulsória do AdX, preservando a estrutura do negócio publicitário do Google apesar das violações antitruste já reconhecidas.

A decisão da juíza Leonie Brinkema encerra a fase de definição dos remédios no caso movido pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e 17 estados americanos. Os autores haviam pedido que o Google fosse obrigado a se desfazer do AdX, plataforma que realiza o leilão de espaços publicitários. O tribunal preferiu obrigações de conduta, mas a fundamentação completa permanecerá sob sigilo temporário por 14 dias.

O resultado evita a ruptura estrutural solicitada pelo governo, mas não apaga a conclusão judicial de que o Google infringiu as regras de concorrência. Para anunciantes e publishers — sites que vendem espaço publicitário —, o efeito concreto dependerá do conteúdo da ordem e de como as obrigações alterarão leilões, acesso a ferramentas e condições comerciais. No Brasil, eventual impacto indireto dependerá da aplicação global dessas mudanças pela empresa.

Tribunal reconheceu monopólios em dois mercados de publicidade

Em 17 de abril de 2025, o tribunal concluiu, em decisão sobre a responsabilidade do Google, que a empresa monopolizou ilegalmente dois mercados ligados à publicidade display na web aberta: servidores de anúncios usados por publishers e bolsas eletrônicas de anúncios. A decisão também reconheceu a vinculação ilegal entre o DFP, ferramenta de gestão de inventário, e o AdX.

Naquele julgamento, as evidências registraram que o AdX cobrava historicamente uma taxa de 20%, ante aproximadamente 10% de bolsas rivais. A plataforma tinha participação cerca de nove vezes superior à do concorrente seguinte, escala considerada relevante para sua posição no mercado. Esses dados descrevem o cenário analisado pelo tribunal em 2025; não representam uma medição atualizada de setembro de 2026.

A juíza concluiu em 2025 que o Google bloqueou ilegalmente o acesso de publishers ao seu servidor de anúncios para obrigá-los a usar o AdX. A conduta, segundo a decisão daquele ano, prejudicou os clientes da plataforma, o processo competitivo e os consumidores de informações na web aberta.

Medidas de conduta substituem venda compulsória do AdX

Na proposta revisada de remédios, os autores pediram formalmente a alienação do AdX. A juíza rejeitou essa medida nesta quarta-feira e adotou remédios comportamentais. O Google havia oferecido alternativas, entre elas fornecer acesso em tempo real aos lances de concorrentes.

A empresa comemorou a rejeição do desmembramento. A executiva Lee-Anne Mulholland afirmou que a venda prejudicaria ferramentas usadas por pequenas empresas para alcançar clientes. O Departamento de Justiça declarou que a ordem concede uma reparação substancial e informou que avalia os próximos passos. As ações do Google reduziram parte dos ganhos após a decisão, mas ainda subiam 0,6%.

A ordem detalhada será retirada do sigilo após 14 dias. Até lá, permanece definido que o Google não terá de vender o AdX, mas ficará sujeito a medidas de conduta destinadas a limitar práticas anticompetitivas no mercado de publicidade digital.


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Fonte: Piranot – Link original da matéria

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