Lula e Erdogan acertam conselho estratégico entre Brasil e Turquia – PIRANOT

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Recep Tayyip Erdogan acertaram nesta segunda-feira (24), por telefone, a criação de um Conselho Estratégico Brasil-Turquia em nível vice-presidencial, ainda sem ato formal de instituição.

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O anúncio brasileiro amplia o mecanismo político de uma relação que movimentou cerca de US$ 5,6 bilhões em comércio em 2025 e inclui cooperação na indústria de defesa. A Presidência brasileira não informou quando o conselho será instalado, quem participará dele nem quais poderes terá.

A Presidência da Turquia confirmou a conversa e informou que os dois líderes trataram das relações bilaterais e de questões regionais e globais. O comunicado turco destacou investimentos, comércio e indústria de defesa como áreas de interesse, mas não mencionou expressamente o novo conselho, anunciado pelo lado brasileiro.

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Comércio de US$ 5,6 bilhões sustenta agenda bilateral

Dados do Setor de Promoção Comercial do Consulado-Geral do Brasil em Istambul mostram que a corrente comercial entre Brasil e Turquia chegou a aproximadamente US$ 5,6 bilhões em 2025. As exportações brasileiras somaram US$ 4,14 bilhões, enquanto as importações de produtos turcos alcançaram US$ 1,41 bilhão.

A diferença corresponde a um saldo estimado de US$ 2,73 bilhões a favor do Brasil. O dado ajuda a dimensionar a relação econômica que o conselho poderá acompanhar, mas ainda não há metas comerciais, projetos de investimento ou compromissos financeiros vinculados à futura instância.

Entre as principais exportações brasileiras para a Turquia estão soja, minério de ferro, gado vivo, café e algodão. O Brasil importa do país produtos como carbonato dissódico, peças de turbojatos, avelãs, eixos de transmissão e carrocerias de tratores.

O Itamaraty também registra operações de Votorantim, Banvit/BRF, Maxion, Metalfrio e WEG na Turquia. Entre as empresas turcas com investimentos no Brasil estão KordSA, Karpowership e Corex.

A aproximação institucional antecede o telefonema. Conforme o histórico do Ministério das Relações Exteriores, Brasil e Turquia assinaram, em 2010, um Plano de Ação para Parceria Estratégica. O conselho anunciado em 2026 deverá acrescentar uma estrutura política em nível vice-presidencial a esse relacionamento, embora seu formato ainda dependa de definição oficial.

Na área militar, os países assinaram, em 25 de março de 2022, um acordo de cooperação em indústria de defesa. O Executivo brasileiro encaminhou o texto ao Congresso em 11 de setembro de 2023, segundo a mensagem presidencial que acompanhou o acordo. Lula afirmou nesta segunda-feira que o Brasil pretende ampliar investimentos no setor e estimular parcerias entre empresas dos dois países, mas nenhum contrato foi anunciado.

Missão ministerial prepara projetos e formato do conselho

O encaminhamento concreto informado pelo Palácio do Planalto é o envio de uma delegação brasileira à Turquia. A missão deverá ser chefiada pelos ministros da Defesa, José Mucio Monteiro, e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. A data da viagem e a agenda de reuniões não foram divulgadas.

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Os governos também deverão aprofundar conversas sobre comércio, investimentos e defesa. Essas áreas representam campos de negociação, não projetos contratados. A transformação do acordo político em uma estrutura efetiva dependerá da definição de integrantes, competências, agenda e instrumento de criação do conselho.

Durante o telefonema, Lula e Erdogan trataram ainda das guerras na Ucrânia e no Oriente Médio e defenderam a intensificação do diálogo em busca de soluções. A nota turca afirmou que uma cooperação econômica mais ampla poderia elevar a prosperidade dos dois países mesmo diante de tendências protecionistas.

Erdogan convidou Lula para a 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, prevista para novembro de 2026, em Antália, na Turquia. Segundo o Planalto, o presidente brasileiro aceitou o convite. O próximo passo concreto da agenda bilateral será a missão dos ministros, encarregada de discutir projetos de comércio, investimentos e defesa.


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Fonte: Piranot – Link original da matéria

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