O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na segunda-feira (7) do desfile cívico-militar pelos 204 anos da Independência, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, ao lado da primeira-dama Janja Silva e dos chefes dos Três Poderes.
A agenda dos candidatos à Presidência registrava concorrentes em atos de rua e informava que Lula não tinha compromisso público de campanha. A ausência de agenda eleitoral distinguiu a cerimônia de Estado, cumprida como presidente, das mobilizações realizadas por adversários.
A recepção oficial estava marcada para as 9h, seguida pela execução do Hino Nacional e pela parada cívico-militar com tropas das Forças Armadas. As autoridades chegaram por volta das 8h15.
Soberania abre os três eixos oficiais do desfile
Na mensagem transmitida em cadeia nacional de rádio e televisão em 6 de setembro de 2026, Lula declarou: “Não somos, e não seremos colônia de ninguém”. O pronunciamento da noite de domingo (6) colocou a soberania no centro da participação presidencial no desfile.
Em 2025, o governo dos Estados Unidos aplicou barreiras tarifárias a produtos brasileiros. Desde então, o Palácio do Planalto passou a relacionar a defesa da soberania econômica à reação do país diante de interesses estrangeiros.
Os outros dois eixos oficiais foram a proteção de meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Em 1º de maio de 2026, Lula sancionou três leis federais destinadas à proteção de vítimas e ao combate ao feminicídio, dando base concreta ao tema apresentado no evento.
Autoridades acompanham cerimônia em ano eleitoral
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e o vice-presidente Geraldo Alckmin acompanharam a solenidade na Esplanada.
O Palácio do Planalto submeteu os preparativos à Advocacia-Geral da União para receber suporte jurídico sobre a realização da cerimônia em período eleitoral. Ministros e apoiadores também foram orientados a evitar acessórios e símbolos ligados ao PT, como o número 13 e a cor vermelha.
O cuidado tem um precedente recente. Em 2023, o Tribunal Superior Eleitoral condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o candidato a vice Walter Braga Netto por abuso de poder político e econômico nas comemorações de 7 de setembro de 2022. A decisão declarou a chapa inelegível por oito anos, até 2030.
Público acompanha tropas e apresentações tradicionais
Entre o público, a aposentada Maria de Fátima Barbosa, de 71 anos, viajou mais de 15 horas desde o Tocantins para acompanhar a celebração. “Vir para o desfile me faz lembrar o quanto eu sou brasileira”, afirmou à Agência Brasil.
A programação incluiu o desfile motorizado, honras militares, a pirâmide humana e apresentações da Esquadrilha da Fumaça. A organização ficou a cargo da Secretaria-Geral da Presidência, da Secretaria de Comunicação Social da Presidência e do Gabinete de Segurança Institucional.
O Palácio do Planalto e a Polícia Militar do Distrito Federal não haviam divulgado na segunda-feira (7) o balanço final de público e segurança.
Sem ato eleitoral na agenda pública de Lula, soberania, proteção às mulheres e Copa do Mundo Feminina de 2027 formaram o enquadramento oficial escolhido pelo governo para a principal celebração cívica do país em ano eleitoral.
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