A Organização Mundial do Comércio (OMC) afirmou na terça-feira (15) que o sistema global de comércio vive um momento crítico, sob pressão de novas tarifas, disputas entre grandes economias e do risco de divisão em blocos geopolíticos concorrentes.
As projeções para 2050 não tratam de efeitos já medidos. No cenário de fragmentação comercial em blocos, a OMC calcula um PIB global 5,1% menor e exportações globais 18,6% inferiores em comparação com um mundo sem essa divisão.
Ruptura das regras comuns amplia perdas projetadas
Em uma hipótese mais grave, de colapso da cooperação comercial e substituição do sistema multilateral por acordos separados, o PIB global poderia ficar 6,9% menor e as exportações cairiam quase 27%. No sentido oposto, uma cooperação multilateral mais forte aparece associada a PIB 2,9% maior e exportações quase 18% superiores.
O alerta ocorre num momento em que regras comuns enfrentam dificuldades para acompanhar a intervenção maior dos governos na economia, o comércio digital, a transformação das cadeias globais de produção e as tensões políticas entre as grandes potências.
Paralisia do Órgão de Apelação dificulta decisões finais
Em 2019, o Órgão de Apelação da OMC deixou de operar plenamente após os Estados Unidos bloquearem a nomeação de novos integrantes. Países ainda podem apresentar disputas comerciais à organização, mas o caminho para uma decisão definitiva ficou mais complicado.
Em julho de 2026, o Brasil apresentou à OMC uma contestação contra tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A iniciativa registra formalmente a discordância do país e ocorre enquanto a organização defende a preservação de regras multilaterais para o comércio.
Brasil não tem perdas setoriais mensuradas
As estimativas globais não identificam quais produtos brasileiros seriam atingidos, em que valor ou em qual período. Também não permitem concluir impacto sobre preços, empregos, arrecadação ou renda no país, pois não há indicador oficial que mensure perdas nas exportações brasileiras associadas às tarifas citadas.
Para exportadores brasileiros, a consequência prática do debate está nas condições de acesso aos mercados externos: quanto mais o comércio depender de blocos e acordos isolados, maior tende a ser a pressão para negociar regras fora do sistema multilateral.
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