Pesquisa da EEP sobre resíduos siderúrgicos é publicada em revista científica – PIRANOT

Uma pesquisa da Escola de Engenharia de Piracicaba (EEP), mantida pela Fundação Municipal de Ensino de Piracicaba (Fumep), em parceria com a ArcelorMittal Brasil, foi publicada na Revista Cerâmica, periódico da Sociedade Brasileira de Cerâmica (ABCeram). O estudo avalia o aproveitamento de resíduos da indústria siderúrgica como matéria-prima para materiais cerâmicos usados na construção civil.

Intitulado Estudo da Aplicação de Resíduos Gerados pelo Setor Siderúrgico na Produção de Materiais Cerâmicos, o trabalho testou a chamada Terra de Sucata e a Terra de Shredder na fabricação de placas cerâmicas para revestimento de pisos e paredes. Segundo a divulgação da EEP/Fumep, misturas com até 75% desses resíduos apresentaram resistência mecânica e absorção de água compatíveis com as normas técnicas do setor.

Em resumo:

  • Artigo da EEP com a ArcelorMittal Brasil sai na Revista Cerâmica (ABCeram).
  • Misturas com até 75% de resíduos siderúrgicos atenderam parâmetros de resistência e absorção de água.
  • Em 2024, o projeto ficou em 2º lugar no Prêmio IEL, categoria Projeto Inovador.
  • Amostras vieram das plantas de Piracicaba e Iracemápolis; ensaios nos laboratórios da EEP.

Da indústria para o laboratório

A pesquisa foi conduzida pelos professores Sergio Arnosti Junior e Patrícia Tolaine do Amaral, com participação da estudante de Engenharia Civil Cecília Bilatto. Pela ArcelorMittal Brasil, planta de Piracicaba, colaboraram os engenheiros Wesley Gonzaga Cavalcanti e Gustavo Ribeiro de Carvalho.

Os materiais analisados saem de processos siderúrgicos e, de forma convencional, têm os aterros industriais como destino. A proposta foi avaliar a reincorporação desses passivos ao processo produtivo, como matéria-prima com potencial de aplicação comercial — tema alinhado à operação da unidade de Piracicaba da ArcelorMittal, que completa décadas de presença industrial na cidade.

“A pesquisa aplicada é a ponte que conecta o conhecimento de sala de aula com os desafios reais do mercado. Ver que resíduos antes descartados podem compor um produto comercialmente viável é gratificante.”

Sergio Arnosti Junior, professor da EEP

Os corpos de prova e os ensaios tecnológicos foram feitos na infraestrutura dos laboratórios da EEP. Além de atender aos parâmetros técnicos avaliados, os resultados apontam possibilidade de reaproveitar parcela significativa dos resíduos siderúrgicos em produtos para a construção civil, com potencial de reduzir o volume destinado a aterros industriais.

“Trabalhar com materiais tão complexos exige rigor técnico e paciência. Conseguimos provar que a engenharia de materiais é a chave para uma economia circular mais robusta e menos agressiva ao meio ambiente.”

Patrícia Tolaine do Amaral, professora da EEP

Academia, indústria e formação

O projeto recebeu apoio financeiro da ArcelorMittal Brasil e bolsas do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e da Fundação de Apoio ao Instituto de Pesquisas Tecnológicas (FIPT). As equipes coletaram amostras nas plantas de Piracicaba e Iracemápolis, para que os materiais analisados correspondessem às condições do ambiente industrial.

Em 2024, antes da publicação científica, a pesquisa conquistou o 2º lugar na categoria Projeto Inovador do Prêmio IEL. Para a estudante Cecília Bilatto, o percurso — dos testes em laboratório à análise final — reforçou o vínculo entre Engenharia Civil e preservação ambiental.

“Participar deste projeto desde a fase de testes em laboratório até a análise final foi uma experiência prática única. Ver a Engenharia Civil atuando diretamente na preservação ambiental me motiva muito para o futuro profissional.”

Cecília Bilatto, estudante de Engenharia Civil da EEP

Informações: assessoria de comunicação da EEP/Fumep.

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Fonte: Piranot – Link original da matéria

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