Petrobras encontra petróleo a 175 km da costa do Amapá – PIRANOT

A Petrobras confirmou a presença de petróleo no poço Morpho, no bloco FZA-M-59, a 175 quilômetros da costa do Amapá, nesta segunda-feira (17), mas o volume e a viabilidade comercial permanecem desconhecidos.

A identificação comprova a presença de hidrocarbonetos, não uma reserva pronta para produção. A perfuração havia atravessado aproximadamente 3.000 metros de rocha, sob uma lâmina d’água de 2.886 metros, e ainda precisava avançar cerca de 1.000 metros, conforme informações divulgadas pela presidente da estatal, Magda Chambriard.

A conclusão do poço era estimada para ocorrer entre 15 e 20 dias, contados de 17 de agosto. Somente depois serão estudados o volume, as características do reservatório e a viabilidade técnica e econômica. A companhia não divulgou a quantidade nem a qualidade do petróleo e tampouco fixou prazo para uma declaração de comercialidade ou para eventual início de produção.

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Licença sucede impasse ambiental iniciado em 2023

O bloco foi adquirido na 11ª Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, em 2013. O contrato registra bônus de assinatura de R$ 44,506 milhões. A Petrobras informou deter 100% de participação na área, situada a aproximadamente 500 quilômetros da foz do Amazonas.

Em 2023, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis negou o pedido de licença e afirmou que a ausência de uma Avaliação Ambiental de Área Sedimentar dificultava a análise da viabilidade ambiental. Em 2025, após a aprovação de uma avaliação pré-operacional, o órgão concedeu a licença para perfurar o FZA-M-59 em 20 de outubro. A autorização alcança a atividade exploratória e não equivale a uma licença para produzir petróleo.

Investimento bilionário ainda não assegura retorno comercial

O Plano Estratégico 2024-2028+ da Petrobras, aprovado em 2023, reservou US$ 3,1 bilhões para exploração na Margem Equatorial. Magda Chambriard declarou que a companhia investiu US$ 3 bilhões na campanha iniciada em agosto de 2025 e que as operações exploratórias custam aproximadamente US$ 1 milhão por dia.

Essas cifras representam capital destinado a localizar e avaliar recursos, não receita prevista. Sem estimativa de volume recuperável, custo de desenvolvimento ou capacidade de produção, não há base para calcular retorno aos acionistas, arrecadação pública ou efeito sobre os preços dos combustíveis. O achado pode orientar novos investimentos da companhia, mas seu impacto financeiro permanece condicionado aos testes do reservatório e a decisões posteriores.

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Para contribuintes e governos, também não existe efeito orçamentário mensurável nesta etapa. Uma descoberta comercial poderia gerar participações governamentais e movimentar fornecedores, porém ainda não existem projeções de royalties, tributos, empregos ou compras locais. Associar o poço a essas receitas antes da avaliação técnica transformaria uma possibilidade em resultado ainda não demonstrado.

Perfuração e testes definirão o destino do poço Morpho

A primeira etapa é concluir os cerca de 1.000 metros restantes e coletar informações geológicas e de pressão. A Petrobras deverá então avaliar a extensão do reservatório, o volume potencialmente recuperável e as condições necessárias para produzir em águas profundas. Poços adicionais também podem ser exigidos para delimitar a descoberta.

A companhia protocolou pedidos de licenciamento para outras perfurações na Margem Equatorial, mas cada atividade depende da análise ambiental correspondente. No Morpho, o próximo dado decisivo será o resultado técnico após a conclusão da perfuração. A confirmação de um sistema petrolífero ativo reforça o interesse da Petrobras pelo bloco e pode orientar a perfuração de novos poços na região.

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Fonte: Piranot – Link original da matéria

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