A urna eletrônica passou de uma estreia parcial, em 1996, à presença em todas as seções eleitorais brasileiras, em 2000. Nesse intervalo, a parcela do eleitorado atendida pelo sistema subiu de 32%, em 1996, para 58%, em 1998, antes de alcançar cobertura nacional.
O projeto nasceu com o desafio de funcionar sem conexão com a internet ou outra rede, ter bateria própria, resistir ao transporte e chegar a localidades remotas. O equipamento também precisava ser simples para eleitores pouco familiarizados com computadores.
Telefone fixo inspira teclado da urna
Cinco especialistas ligados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e ao Centro Técnico Aeroespacial aparecem nos relatos sobre o desenvolvimento direto do equipamento. Entre eles estão o matemático Giuseppe Janino e o engenheiro Mauro Hisao Hashioka.
Em 1998, Hashioka esteve em Acaraú, no Ceará, onde a equipe observou a adaptação dos eleitores à nova máquina. A disposição dos números no teclado foi inspirada no telefone fixo, aparelho familiar aos brasileiros na década de 1990.
Ao recordar a preparação para a estreia parcial de 1996, Janino afirmou: “Praticamente virávamos noite, uma atrás da outra, para que tudo acontecesse”. A declaração retrata a pressão para colocar o sistema em funcionamento dentro do calendário eleitoral.
Disquetes dão lugar a cartões de memória em 1998
Em 1996, a urna utilizava dois disquetes: um armazenava o sistema operacional e os programas, enquanto o outro recebia os dados do resultado. Em 1998, os disquetes foram substituídos por cartões de memória flash, mudança que, segundo Janino, tornou o equipamento mais rápido e reduziu problemas de funcionamento.
A estreia de 1996 concentrou-se nas capitais e nos municípios com mais de 200 mil eleitores, alcançando 32% do eleitorado. Em 1998, a cobertura chegou a 58%. Em 2000, quatro anos depois da primeira votação parcial, o sistema passou a abranger todas as seções eleitorais brasileiras.
Testes públicos ampliam controles a partir de 2009
No modelo descrito por Janino, o hardware é produzido por empresa contratada em licitação, conforme especificações do TSE, enquanto os programas são desenvolvidos pela Justiça Eleitoral. Ele afirmou que o edital de contratação pode chegar a quase 800 páginas de requisitos técnicos.
Janino também descreveu a inspeção do código-fonte por entidades fiscalizadoras e a posterior lacração dos sistemas, com assinaturas digitais e mecanismos de verificação de autoria e integridade. Para as eleições de 2026, os procedimentos aplicáveis são aqueles definidos pela regulamentação oficial do atual ciclo eleitoral.
Em 2009, Janino propôs os Testes Públicos de Segurança da Justiça Eleitoral. A iniciativa permite que pesquisadores formulem planos de ataque; vulnerabilidades identificadas são analisadas para que o TSE faça as correções necessárias.
A expansão concluída em 2000 transformou uma experiência restrita a parte do eleitorado em um sistema de alcance nacional, enquanto as mudanças técnicas e os testes incorporados desde 1996 passaram a acompanhar a evolução da votação eletrônica no país.
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