A Justiça Eleitoral soltou na terça-feira (1º) o vereador José Weder Basílio Rabelo (PP), de Morada Nova, no Ceará. Ele estava preso desde 5 de maio em uma operação que investiga o suposto braço financeiro de uma facção.
A decisão, tomada na segunda-feira (31), revogou a prisão preventiva e determinou monitoração eletrônica por 180 dias, além de outras restrições. O magistrado considerou que não foram identificadas transações financeiras diretas entre contas do vereador e contas de pessoas apontadas como operadoras do núcleo investigado.
Buscas e bloqueios patrimoniais já executados também reduziram, segundo a decisão, a necessidade da prisão para preservar provas. O magistrado registrou ainda que a incompatibilidade patrimonial mencionada no caso não demonstra, isoladamente, periculosidade concreta e que a origem lícita ou criminosa dos valores precisa ser investigada.
A soltura ocorreu após 118 dias de prisão. A mudança alcança apenas a medida cautelar: Rabelo continua investigado no inquérito relacionado à Operação Consorte e não há condenação definitiva informada.
A defesa, representada pelo advogado Igor César Rodrigues, sustenta que o combate às facções deve evitar atingir pessoas inocentes e ressalta que a situação cautelar não constitui julgamento definitivo.
Duas operações alcançam vereadores e investigam fluxo superior a R$ 500 milhões
Em 12 de março de 2026, a Operação Traditori cumpriu 16 mandados de prisão preventiva, cinco deles destinados a vereadores, e 30 mandados de busca e apreensão. Segundo a Polícia Federal, a investigação examina suspeitas de lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, financiamento ilícito nas eleições municipais de 2024 e outros crimes eleitorais no Vale do Jaguaribe.
Em 5 de maio de 2026, a Operação Consorte, desdobramento da Traditori, avançou sobre o núcleo financeiro investigado e levou Rabelo à prisão. A ação mobilizou 108 policiais federais e civis, divididos em 27 equipes, para cumprir 27 mandados de busca e seis de prisão no Ceará e em Belo Horizonte, em Minas Gerais.
Os investigadores atribuíram ao grupo um fluxo financeiro superior a R$ 500 milhões. A cifra se refere à movimentação agregada sob investigação, e não a um valor atribuído individualmente a Rabelo. O período, a origem dos registros e os critérios usados para consolidar o montante não foram divulgados.
Investigação mira ocultação de recursos e financiamento eleitoral
Segundo a Polícia Federal, o grupo teria usado mecanismos de ocultação e dissimulação de dinheiro proveniente de atividades ilícitas. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Ceará busca identificar como os recursos circulavam, quais pessoas participavam do esquema e se parte do dinheiro financiou campanhas.
As suspeitas contra o grupo precisam ser individualizadas. A prisão de outros cinco vereadores de Morada Nova na investigação relacionada não demonstra participação de José Weder nem permite transferir a ele acusações dirigidas a terceiros.
Liberdade fica condicionada ao cumprimento das restrições
Além da tornozeleira eletrônica por 180 dias, Rabelo está proibido de deixar o município de residência sem autorização judicial, sair do país, manter contato com outros investigados e exercer atividade econômica ou financeira. Ele deverá entregar o passaporte, comparecer aos atos do inquérito e de eventual processo para os quais for convocado e permanecer em casa nos finais de semana e feriados.
A revogação da prisão preventiva não equivale a absolvição, arquivamento ou exclusão do inquérito. Durante os 180 dias, a liberdade do vereador permanece condicionada ao cumprimento das medidas, que poderão ser reavaliadas pela Justiça conforme o avanço da investigação e a observância das restrições.



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